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Mês: maio 2009

Cachorrada

Em época de aquecimento global, não podemos nos descuidar de algumas atitudes que ajudam a melhorar a qualidade de vida no planeta… Estamos todos “carecas” de saber que uma alternativa é fazer a coleta seletiva do lixo, a fim de que se recicle o que deve ser reciclado… Pois bem, parece-me que a maioria dos seres humanos ao meu redor não sabe disso, pois vejo no lixo deles, plásticos e papéis, mesclados com restos de comida e produtos químicos…

Não pensem o amigo leitor e a amiga leitora que eu ando fuçando o lixo dos outros, acontece que ele vem até mim, a cachorrada da rua se encarrega de transportá-lo até meu terreno… Eles sabem selecionar o lixo melhor do que as pessoas ao meu redor, pena que tiram o que é proveitoso aos caninos famintos e deixam o resto “perfumando e embelezando” meu jardim. Quem quiser comprovar, é só olhar as fotos aí em cima: Aquele é meu jardim, tá certo que não tenho cuidado dele como deveria ultimamente, mas lixo eu não jogo lá, principalmente lixo dos outros.

Existem aí dois problemas: O primeiro é a coleta precária de lixo que revela um descaso enorme com a população. Num sábado desses, passaram recolhendo o lixo perto das dez da manhã, daquele jeitão, reunindo os montinhos no meio da rua… Mas o caminhão de coleta só passou depois do meio dia e neste meio tempo precisei dar uma saída, foi o suficiente para a cachorrada degustar um almoço no meu salão de eventos caninos improvisado. Ao voltar, encontrei aquela bagunça e ninguém para se responsabilizar… Isso nem a prefeitura, nem a empresa terceirizada percebem, pois devem ter coisas mais importantes para se preocupar no centro da cidade…

O segundo é a própria cachorrada. Não sei nos outros bairros, mas no meu a situação está catastrófica, tem noites que não se dorme direito por conta das festas promovidas por eles no meio da rua e ninguém se responsabiliza. Será que estes animais não têm dono?… Será que não têm um lar?… Olha, tenho dois cachorros, gosto muito deles, aliás, gosto muito de qualquer cachorro, até já escrevi sobre as relações dos seres humanos com estes amiguinhos, mas meus bichinhos de estimação estão seguros de uma forma que não podem sair na rua incomodar o sossego alheio… Isso inclusive é crime. Cuido deles, procuro contribuir para dar uma vida confortável a eles e aos meus vizinhos. Penso que, a partir do momento que adotamos um animal de estimação, devemos cuidá-lo e amá-lo, afinal, é uma vida que está em nossas mãos, eles também são filhos de Deus…

Não tenho nenhum problema em receber qualquer pessoa ou animal na minha casa, mas não admito que tragam suas sujeiras domésticas até meu lar, sejam elas físicas ou morais… Já estou farto de gastar meus sacos de lixo com sujeira de seres humanos que não sabem cuidar de seus animais, e de um sistema que terceirizou a coleta, mas não ensinou a empresa que a população dos bairros também merece ser respeitada… Aliás, não só merece como tem este direito garantido na Constituição: “Todos são iguais perante a lei”…

Será que depois de trinta e cinco anos vivendo em um terreno aberto, vou começar a ter problemas com os cachorros que os tenho como amigos?… Será que depois de tanto tempo aberta para a vizinhança a qualquer hora, minha casa vai ter que ser cercada, por conta da sujeira mal distribuída da humanidade ao meu redor?…

Quando chegará o dia em que aprenderemos a separar o lixo do que é reciclável?… No dia em que começarmos a morrer por causa da poluição, já será tarde demais… Quando aprenderemos a cuidar dos nossos animais de estimação respeitando também as pessoas ao nosso redor?… Por fim, quando seremos racionais de verdade?…

Márcio Roberto Goes

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Jornal Informe – O diário Regional

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Uma sexta-feira na Domingos

 domingosGente do céu!… Vocês têm que conhecer a Escola Domingos da Costa Franco, especialmente a oitava série do matutino: Uma garotada “sangue bom”, gente boa mesmo. Estive lá na última sexta-feira, trocando algumas ideias com o pessoal a respeito de literatura, leitura, análise e produção de texto. Antes, porém, a professora Luciane Campolin já havia feito um trabalho especialmente com meus textos e de outros cronistas a nível estadual e nacional, o que muito alegrou-me, pois ser equiparado com escritores reconhecidos nacionalmente, no mínimo me remete a uma intertextualidade ao nível dos formadores de opinião, o que para um escritor do interior de Santa Catarina é um orgulho enorme.
 Mas, vamos parar com a auto “rasgação de seda” e vamos ao que interessa:
 Cada vez que visito uma escola pública, me convenço mais de que temos muitos gênios adormecidos nos bancos escolares, senti isso ao ver os olhos daquela piazada brilhando ao ouvir os meus relatos e dos demais colegas… Sinto isso cada vez que um aluno se aproxima com um rascunho dizendo que produziu um texto despretensiosamente e gostaria que fosse lido por mim… Já fiz isso no passado, quando era aluno da educação básica e, nem sempre, fui ouvido (ou lido) pelos mestres… Havia algo mais importante a ser feito por eles, como destacar nossos erros em vermelho, naqueles textos encomendados, que na maioria das vezes, não tinha nada a ver com nossa realidade, mas valia nota…
 Tenho certeza que “os exemplos arrastam”, portanto, não posso exigir que meu aluno produza bons textos se ele nunca lê uma produção minha… não posso querer que ele fique em silêncio durante minha brilhante explicação, se eu não o faço quando estou participando de algum curso de capacitação. Pensando nisso, neste ano resolvi levar meus textos periodicamente para a sala de aula. Ora, não imagina, o leitor, quão grande foi a minha surpresa quando notei que minhas palavras causavam emoção em alguns alunos, a exemplo do texto “As hortênsias”, que ao lê-lo, uma de minhas alunas não conseguiu concluir, pois foi tomada pelas lágrimas que teimaram em cair…
 Da mesma forma, senti-me emocionado, na Escola Domingos da Costa Franco, quando presenciei vinte três alunos conversando, debatendo e questionando meus textos, com a certeza e a clareza de quem leu e analisou anteriormente… Mérito deles, que tiveram a coragem e determinação de dedicar um tempo à leitura e análise… Mérito da professora, que disponibilizou a eles a chance de visitar meu blog e outros sites de literatura usando de uma visão crítica e de um coração aberto às novidades, fomentando assim a produção de texto entre eles… Mérito da direção da escola, por estar aberta a estes eventos, que por vezes não têm a cobertura da imprensa, já que não se trata de nenhuma desgraça social, acidente de trânsito, ou ato de politicagem… Mérito de todos nós, que lutamos como “Davi contra Golias” em busca de uma educação pública democrática, edificante e de qualidade.
 Obrigado, Dominguinhos, pela sexta-feira maravilhosa que passamos juntos!… Obrigado por acreditarem no meu trabalho!… Obrigado por acreditarem no trabalho de vocês!… Obrigado por acreditarem que o ser humano é capaz de realizar maravilhas quando o deixamos voar alto no mundo do conhecimento… Obrigado Dominguinhos!…

Márcio Roberto Goes
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Jornal Informe – O diário Regional

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Uma experiência inenarrável

 Segundo o  dicionário Miniaurélio digital, endoscopia é: “Visualização, mediante equipamento especial (endoscópio), de superfície interna de órgão ou de estrutura, e com fim de diagnóstico ou de tratamento.”…
 Pois bem… “Não há de vê” que precisei fazer a dita endoscopia dia desses? Logo depois de marcado o exame, saí contando para todo mundo: “Vou fazer endoscopia, gente! Vou ser filmado por dentro”. Minha mãe sempre dizia que eu tenho uma grande beleza interior, pois chegou a hora de conferir… Uma amiga reagiu dizendo: “Ui, ui, ui”… Outro amigo disse-me: “Eles enfiam um cano na goela e você não ‘guenta’ de tanta ânsia”… Um terceiro declarou: “Ui, ui, ui”, outro ainda: “Ui, ui, ui”… Não sei exatamente o porquê, mas os “Ui, ui, ui” venceram disparados no depoimento dos meus amigos… Penso que deva ser uma experiência inenarrável, já que a maioria não encontra palavras para descrever.
 Um dia antes, a partir das dezoito horas, era necessário que eu fizesse jejum… Até a segunda hora foi “beleza”, na terceira, meu estômago já começou a dar sinais de vazio interior e, no dia seguinte, as tripas maiores já estavam comendo as menores de tanta fome… Meu Deus!… Mesmo assim me conformei, pois “na guerra é pior”, como diz meu amigo Paulinho Moraes, além do mais, um dia passando fome não mata ninguém, afinal tanta gente neste mundão capitalista de meu Deus, fica muito mais tempo sem comer, deixando meu pequeno sofrimento insignificante diante da fome mundial fabricada.
 À hora marcada, lá estava eu, no consultório com dois acompanhantes… Na verdade, o recomendado era só um, mas levei dois para garantir, um deles estava encarregado de guiar o fuscão até minha casa, a Ternura ficou com meu celular para qualquer emergência… Li algumas revistas enquanto esperava ansioso pelos “Ui, ui, ui”, Uma moça pingou duas gotas de um treco acridoce na minha garganta: Aquilo desceu fazendo eco no meu estômago castigado pela solidão e abandono dos alimentos…
 Chegou minha vez. O médico deu-me algumas instruções sobre os procedimentos dali para frente, jogou mais um spray na minha goela e pediu que me deitasse…
 – “Vamos injetar este sedativo e deixaremos um pouco para depois, caso seja necessário”…
 Acho que não foi necessário, pois depois de injetado o líquido milagroso, ele pediu para virar-me do lado esquerdo e “apaguei”, acordando quatro horas depois virado para o lado direito no conforto do meu lar, em minha cama…
 Putz!… Além de tudo o cara é mágico!… Desintegrei-me no consultório e reapareci na minha cama… Vou pedir a fórmula dessa “bagaça” para usá-la na locomoção até meu trabalho que fica oito quilômetros de minha residência oficial… Poco massa, tchô!… Pense bem… Olha quanto combustível eu economizaria…  Muito show, cara!… Manero!…
 Calma, lá… E os “Ui, ui, ui”, cadê?… Acho que disseram isso só pra me assustar.
 Comprovado: Endoscopia é uma experiência inenarrável!…

Márcio Roberto Goes
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Jornal Informe, o diário do contestado

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