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Mês: fevereiro 2009

Trote

 Quando ingressei num curso superior, senti-me um vencedor… E de fato, o era… Eu e todos os outros quarenta e nove que me acompanhavam naquela primeira turma de Letras Português-Espanhol da UnC Campus Caçador. No segundo final de semana de aula, como se tratava de regime especial, sexta-feira à noite, os veteranos nos pegaram e nos obrigaram a pagar uma certa quantia, não lembro quanto, só lembro que eu não tinha… Juntei-me aos demais miseráveis sem tostão e sem um pé de sapato… Também não lembro se era o esquerdo ou o direito, só lembro que tivemos que desfilar pelo campus de mãos dadas, cantando uma cantiga de roda qualquer que agora me foge a memória, para podermos ter de volta o pé de calçado que já era nosso. Percebe-se que não lembro da maioria dos detalhes (Graças à Deus), mas lembro perfeitamente que não gostei nada daquela humilhação, nem meus colegas, tanto é que não fizemos o mesmo com nenhuma outra turma seguinte, pelo contrário, algumas vezes recebemos os calouros com um abraço de boas-vindas…

 
 Pois bem! Nove anos depois, ouço o relato de uma acadêmica de primeira fase do curso de artes visuais, descrevendo as mesmas (talvez piores) atrocidades contra os ingressantes deste ano na universidade. Desta vez, no sábado de manhã, foram obrigados a matar uma formiga a grito e quem não conseguisse (milagrosamente, uma conseguiu), teria a cara pintada, um pé de calçado surrupiado e passaria pela humilhação de passear pelo campus enrolado em papel higiênico, cantando alguma babaquice orientada por alguém mais babaca ainda. Assim se sucedeu e aqueles que se recusaram a tirar o calçado foram obrigados a força: dois seguravam e um tirava… Para mim, isso já é agressão física, ou seja, trata-se de um crime, além dos danos morais sofridos pelos calouros que foram obrigados a “pagar mico” nas outras salas, pulando num pé só, com aquela canção babaca nos lábios… E pior: os delinquentes veteranos obrigaram os calouros a permanecerem durante todo o dia com o rosto pintado, ameaçando novas torturas para as pessoas que ousassem limpar a cara, além de dizerem que a perseguição duraria o ano todo… Como se não bastasse, as pessoas que não tinham dinheiro para o resgate, receberam de volta seu calçado molhado… Não consigo acreditar, merece até reprise em negrito: “as pessoas que não tinham dinheiro para o resgate, receberam de volta seu calçado molhado”… Além de terem um bem de uso pessoal roubado, ainda foi devolvido com danos… Isso é outro crime, no mínimo revoltante, indignante, inacreditável…

 
 Vemos na TV as histórias catastróficas de trotes universitários, alguns até terminando em morte… Claro que ainda não chegamos a tanto em nossa cidade, mas trata-se de uma prática que circula na contramão da educação…

 
 Senhores veteranos universitários, por favor, vamos abolir estas práticas abusivas do ensino superior. O regime militar acabou há vinte e três anos no Brasil, não se fazem mais necessárias a tortura e a humilhação para mostrar que são melhores que seu semelhante… Na verdade, não são… Ninguém o é… Amanhã ou depois, poderemos ser colegas de profissão… Como gostariam de ser recebidos pelos veteranos da profissão que vocês escolheram?…

 
 E a solução não é o tal do trote solidário, como vemos alguns casos na TV. Até pode dar  resultado, mas continua sendo trote… A meu ver, não deveria existir trote de gênero algum nas universidades, pois lá é lugar de pesquisadores, não de irracionais. Esta prática se trata, de qualquer forma de abuso e atentado contra a dignidade humana. Para mim, trote sempre será trote, no sentido mais pútrido da palavra, ou seja, é coisa de cavalo…

 

 

Márcio Roberto Goes

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“A paz é fruto da justiça”

 

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Certamente, você como a maioria das pessoas anseia pela paz e a segurança. As pessoas em toda parte estão cansadas do crime, da violência, da guerra e da ameaça do pesadelo nuclear… Também, muitos não têm emprego adequado, moradia apropriada, ou alimento suficiente para suprir suas necessidades. Que alegria seria se estes problemas pudessem ser resolvidos e esta Terra se tornasse um lar agradável e seguro para seus habitantes.

 

Todos desejam “paz e segurança”, e como dizem: “a paz é fruto da justiça”Mas quem realizará isso?… Será que as nações do mundo deixarão de lado todas as suas divergências a fim de conseguirem a tão almejada paz?… De fato, quando as Nações Unidas declararam 1986 o “ano internacional da paz”, pediram que em toda parte se fizesse um esforço especial daquele ano em diante para estimular os atos de paz e segurança… Mas seria esta uma verdadeira “paz e segurança”?… Alcançaria sua vizinhança e seu lar e tratarias dos problemas que o afetam pessoalmente?… Resolveria os problemas da crescente criminalidade e das drogas, encarecimento de alimentos, impostos cobrados injustamente, poluição alastrante e a constante degeneração dos laços familiares?… Enquanto perdurar qualquer uma destas situações, a paz e a segurança pessoais continuarão sendo ameaçadas.

 

Mas para que a esperança tenha algum significado, ela deve fundar-se na realidade, na verdade. Falsas esperanças, apenas cegam as pessoas diante da realidade. Portanto, é sensato perguntar: Damo-nos conta de exatamente quão grandes são os problemas que devem ser resolvidos para estabelecer a genuína paz e segurança?… Apercebemo-nos de quão urgente a situação se tornou?… Há qualquer evidência de que as soluções humanas estejam a altura da imensidão da tarefa?… Por milhares de anos, os homens têm buscado a paz e a segurança, sem êxito.

 

Esta busca por paz e segurança pode tornar-se não apenas uma esperança vazia, mas uma belíssima realidade… Como isso é possível?… A segurança pode começar pela eliminação dos crimes, da violência e também, pelos homens, ou melhor, pelos governos juntamente com a população, tentar eliminar a fome e a poluição. Talvez, com esses gestos de solidariedade, mude a cara do nosso mundo, a busca pela paz seja constante e a frase “A paz é fruto da justiça” se torne realidade.

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Juliana Fogaça

2ºano 01 matutino

Ensino médio

EEEB Wanda Krieger Gomes

Caçador SC

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Saudades do Reino

susan Saudades de um reino onde tem um grande castelo verde, como nome de Wanda Krieger Gomes… Neste reino encontramos mestres de conhecimento, príncipes e princesas, reis e rainhas, fadas e pessoas encantadas.
 Somente quem viveu neste reino sabe que é o melhor lugar do universo, lá a gente respira amor, degusta sabedoria, bebe alegria e transpira felicidade. No reino Wanda, só se encontra pessoas sábias, amizades fiéis, amores eternos… É um reino onde todos querem viver para sempre, mas chega um certo tempo que você precisa sair do reino encantado e ir para o mundo real.
 Sente-se saudades dos bailes reais, dos mestres das magias que aconteciam, mas sabemos que tudo muda e um dia nossos herdeiros voltarão para esse reino encantado.
 Com saudades e com muito medo de viver o mundo real, um dia todos entenderão do que eu estou falando, saberão o sentido correto da palavra “saudades”…

 

 Tudo isso são sentimentos que tenho cada vez que lembro do reino encantado. Se estou onde estou, foi graças a todos os seres mágicos deste reino… Mas o mais importante foi meu sempre mestre, Márcio Roberto Goes.

15/02/2009

 

Susan Emmer

Acadêmica de Pedagogia

1ª fase

UnC (Universidade do Contestado)

Campus Caçador SC

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