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Mês: dezembro 2008

Novas idéias… Ideias novas?

 Pois é!… 2009 chegou… Muita coisa boa ficou em 2008, muita coisa boa nos espera em 2009… Muita coisa ruim ficou em 2008, mas a esperança nos faz acreditar que este ano será melhor. Sabemos que a substituição de um dígito no calendário, não significa uma mudança brusca em nossas vidas, mas sempre existe a fé que nos faz crer em dias melhores.
 Porém, tudo continua pacato e monótono na capital da indústria… Capital da indústria?.. Bem, só se for do monopólio de interesses de meia dúzia de fábricas, que insistem em mandar no município, vez por outra, deixam penetrar outra empresa de fora para desencargo de consciência, com a desculpa de novos empregos, mas a “penetra”, entre outras exigências, não pode ser concorrente dos gigantes já existentes, nem deixar os pequenos ao seu redor crescerem, para não prejudicar o bom “engordamento” do bolso daqueles colarinho-brancos que insistem em enriquecer às custas dos trabalhadores que fazem o milagre da produção, como recompensa, recebe um caminho de postes gigantes para iluminar a sua glória.
 O chefe do executivo, continua o mesmo, o sub-chefe também, grande parte do legislativo também… E os cabides?… Metade muda: “Mudam sete dos quinze cargos de primeiro escalão”, segundo manchete do Informe do dia 30/12/2008… E os cabides menores?… E aqueles que não têm cabides?… E os “oreia seca”?… A sorte destes depende da bandeira que levantaram (ou venderam) nas últimas eleições.
 E por falar em eleições, minha escola (desculpem o exagero do pronome possessivo) terá um novo auxiliar de direção… Até aí nenhum fato mirabolante. O interessante é que este cargo foi escolhido pela equipe de professores e demais funcionários, que através do voto direto e secreto o escolheram e levaram seu nome para as autoridades competentes que o nomearão… Assim espero, pois a vontade popular deve prevalecer sobre interesses politiqueiros!… Bem, não é a primeira vez que o Wandão surpreende: Quase no final do ano letivo passado, alunos e alguns professores fizeram uma manifestação pedindo segurança, sendo atendidos prontamente…
 Mas a grande mudança deste ano fica por conta da boa e velha Língua Portuguesa, que vai passar por uma cirurgia para extrair alguns sinais e acentos indesejáveis (Indesejáveis para quem?) e enxertar outros: A começar pelo alfabeto que passa a ter vinte e seis letras. Vamos dar as boas vindas ao K,Y e o W… Ué?… Meu teclado sempre teve estas letras e nunca as tratou como estranhas!… Muito bem, a reforma ortográfica servirá para melhorar nossa auto-estima… (Ou será autoestima?), visto que o Brasil está muito distante do resto do mundo lusofônico… Oh! Vamos unificar a Língua!… Seria possível, não fosse o fato de que a reforma é somente ortográfica, e não vocabular. A ortografia brasileira da Língua Portuguesa é a mais variável, mais criativa e mais democrática do planeta… Porque matá-la com um acordo inútil?… Quem foi que teve esta idéia?.. Puts! Esqueci… Tenho que acostumar com a idéia de escrever “ideia” sem acento…
 Creio que a reforma ortográfica é assunto para um novo texto, visto que meu espaço é limitado, mas gostaria de escrever mais um pouquinho sobre isso… Aliás, uma má notícia: Façamos um minuto de silêncio, pois a consequência mais drástica desta reforma, foi a morte do trema, uma prova disso é que ele nem apareceu a dezenove palavras atrás… Olha, pra falar a verdade, este foi o único tiro certeiro da reforma, pois há muito tempo que o trema foi esquecido pelos brasileiros…
 Para encerrar, gostaria de dar meu recado, cheio de palavras bonitas e impactantes pra “matá a pau”: Algumas coisas mudam, outras não… mas a vida continua e é isso que desejo a todos no ano novo e nos próximos: muita vida e vida em abundância, assim mesmo, pleonásmica, vida vivida vívicamente, e cheia de vida, como aquela vinheta da TV: Para todos, do empresário ao proletário, muita vida em 2009!…

Márcio Roberto Goes

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É NATAL

 
 É Natal! Toda a cidade, o país e o mundo mobilizados, afinal é hora de pensar nos festejos de fim de ano: reunir a família, comer e beber a vontade, dar e receber presentes, enfeitar a casa e as ruas…
 O trabalhador tem alguns dias de férias… O vendedor tem mais trabalho… O comerciante espera, vitorioso, as vendas de fim de ano… Enquanto isso, o pobre pai de família espera ansioso por um emprego, a fim de ter décimo terceiro e férias no fim do ano que vem, comprar presentes para a família, dar trabalho ao vendedor e engordar o bolso do comerciante, cujo filho tem brinquedos de última geração, roupas de marca, computador, Internet, celular e uma babá que certamente não tem férias e dá todo o amor e carinho que seus pais resolveram terceirizar… O filho do desempregado vive na periferia, onde nem Papai Noel tem coragem de chegar, brinca com o cachorro, gado de osso, terra e pedras às margens do esgoto a céu aberto… Usa roupas que não servem mais para seus quatro irmãos mais velhos e futuramente deverá deixar para os dois irmãos mais novos. Roupas compradas num bazar beneficente promovido por alguma turma de formandos que esperam ansiosos a colação de grau e uma chance para negociar a dívida com a faculdade, ter direito ao diploma e um lugar no mercado de trabalho, para ganhar dinheiro, comprar presentes, dar mais trabalho ao vendedor e engordar o bolso do comerciante…
 É Natal!… Cresce mais a economia de quem não economiza, mas também não reparte… É Natal!… De um lado, miséria, fome e crianças que já não alimentam esperanças de receber presentes do Papai Noel… De outro, luxo e desperdício, e um Papai Noel generoso que, como diz a canção, “não esquece de ninguém”, só dos pobres.
 É Natal!… O aniversariante dorme na manjedoura à espera de alguém que ainda lembre o verdadeiro sentido desta data… Ele vai crescer, desafiar as autoridades, repartir e multiplicar o pão, doar-se aos pequenos e aos pobres, inclusive àqueles que já não recebem a visita do Papai Noel, será condenado à morte de cruz, vai vencê-la e ressuscitar ao terceiro dia a fim de salvar a humanidade… Está completando dois mil e oito anos, não esquece de ninguém, “seja rico, ou seja pobre”… Pena que grande parte da humanidade (ricos e pobres), já esqueceu dEle e prefere acreditar só no Papai Noel, criado e alimentado pelo comércio capitalista que é desumano e valoriza muito mais o “ ter” do que o “ser”.
 “Dorme em paz oh Jesus”, porque é natal… O menino santo e pobre da manjedoura, agora dá lugar ao bom velhinho do trenó que traz presentes para uma seleta fatia da população que não tem tempo de comemorar o aniversário de alguém nascido no meio dos animais e que vive para salvar a humanidade.
 É Natal!… Então, feliz Natal!!!

Márcio Roberto Goes

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Conselho final

 

– Fulano…
– É bom aluno, mas vai reprovar em Português. Precisava de 3,2 no exame e tirou apenas 3,0… Só conseguiu fazer a produção de texto…
– Em matemática ele passou.
– Comigo ele é muito chato. Não vou arredondar a nota.
– Não sei como poderemos aprová-lo em Português, ele não escreve nada em geografia!
– A média anual do fulano em Português é maior que 5,0?
– Sim!
– Então temos que aprová-lo!
– Tudo bem, eu deixei em exame só para castigar mesmo… Não vou com a cara dele, mas no ano que vem eu reprovo esse infeliz.
– Fulana…
– Reprovada em Geografia… Só fica pintando as unhas na sala.
– Beltrano…
– Esse não sei como pegou exame em História, ele é tão bom em artes…
– Há! Vamos aprovar. Esse não vai mais estudar mesmo. Vai ser “uma limpa” na nossa escola!
– Beltrana da Silva…
– Desde o ano passado que venho tentando reprovar essa “mala sem alça”, mas a desgraçada sempre passa no exame… Também, olha filha de quem é! Só tinha que ser relaxada mesmo…
– Cicrano… Esse pegou em quase todas… E ele recebe Bolsa Família…
– Comigo não conseguiu…
– Nem comigo…
– Reprovamos?
– Não tem condições de passar. Ele nunca aparece na aula e quando aparece é para incomodar. Vive gazeando aula na bodega da esquina, esse vai sofrer muito na vida.
– Outro dia eu conversei com a mãe dele e ela me pediu ajuda, pois nem ela não pode com a vida do piá…
– Então não podemos fazer nada! Reprovado! Acabou de perder a Bolsa Família…
– Cicrano de tal…
– Fiz um exame pra “ralá” nesta turma só por causa deste aluno, ainda bem que ele não conseguiu!
– Comigo aprovou!
– Também, com o examezinho que você deu, qualquer um passa!
– Esse não pode aprovar, só me incomodou. Não suporto nem ouvir a voz dele!!!
– Então tá! Devido a sua voz chata… Reprovado!
– Cicrano da silva…
– Ele não conseguiu a nota necessária no exame, mas eu arredondei… Ele é tão bonitinho, caprichoso, quietinho, não abre a boca pra nada, nunca pede para ir ao banheiro…
– Comigo ele aprovou…
– Aprovado!
– Fulano de tal…
– Não conseguiu, mas vamos empurrar, se não ele nunca vai para frente… Reprovamos no ano que vem.
– Esse é aquele piolhento?
– É!
– Então eu também não aprovo!
– Coitado gente! Ele mora lá nos fundão do Cabrobó, vem de ônibus todo dia, a família dele é bem pobrezinha, perdeu o pai muito cedo e cuida dos irmãos mais novos.
– Comigo ele também ficou!
– Ele nem veio fazer o exame!
– Não foi naquele dia que o ônibus quebrou?
– Acho que sim! Mas ele não teve nem a capacidade de vir me justificar…
– Mas o ônibus quebrou ontem…
– Não interessa, eu reprovo!
– Reprovado!
– Então é isso, professores! Só assinar a ata e estão liberados…

 

Márcio Roberto Goes
www.marciogoes.com.br

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Saudades

jessica Finalmente, acredito que este seja o último trabalho que entrego depois de longos anos na escola… Não sei se estou alegre ou triste, mas sei que foram muitos anos de dedicação… É claro que um pouco de bagunça não faz mal a ninguém, pois não sou de ferro, mas até hoje, nunca reprovei e acredito que não vou deixar que isso aconteça logo no último ano de escola.
 Tenho vários planos para o ano que vem por aí, inclusive, fazer vestibular e começar mais uma seqüência de estudos, com o dobro de dedicação e empenho, pois sei que um dia serei uma profissional de sucesso, olharei para trás e me orgulharei de ver que tudo o que me ensinaram desde a escola, foi muito útil para o meu crescimento.
 Ah! E gostaria de agradecer aos professores pela atenção que foi dada, não só a mim, mas a todos os alunos. Sentirei saudades da sala de aula…

 

Jéssica Amanda da Silva
3º ano 03 – noturno
EEEB Wanda Krieger Gomes
Caçador – SC

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Santa e Bela Catarina

 Santa e bela Catarina: Uma das estrelas que brilham na bandeira nacional, terra de gente trabalhadora, de miscigenação, de diversos climas, característica típica de regiões subtropicais… Onde convivem o gaúcho na serra, o alemão no vale, o açoriano na ilha, o italiano no bom e velho oeste e tantas outras etnias que aqui tiveram possibilidade de uma magnífica convivência pacífica e democrática…
 Santa e bela Catarina, do “lêitê quêntê” do oeste, do sotaque chiado e cantadinho do manezinho da ilha, onde todos se  “queridam”, como diz Júlio de Queiroz em um de seus contos, do linguajar serrano quase gaúcho… De Anita Garibaldi, de Gisele Bundchen, De Gustavo Kuerten, do João dos Sonhos Azuis, de mim, de você…
 Santa e bela Catarina, das incríveis oscilações climáticas, que por várias vezes resultaram em catástrofes… Porém a pior delas, acabamos de viver: mais de uma centena de mortes, milhares de desabrigados e desalojados, que perderam até mesmo o terreno e não têm nem onde reconstruir suas casas. Pessoas inocentes soterradas pela fúria da natureza, aguçada através da ação humana que hoje chamamos de “aquecimento global”…
 Mas entre os seres humanos egoístas que continuam poluindo desenfreadamente, ainda existem aqueles que não sossegam enquanto não conseguem, de alguma forma, ajudar aos mais necessitados. Uma grande prova disso é o fato de o Brasil inteiro estar mobilizado através de campanhas em todos os cantos deste país continental, arrecadando donativos para as vítimas do Vale do Itajaí e litoral catarinense… Milhares de pessoas trabalham vinte e quatro horas por dia para tentar devolver a dignidade aos nossos irmãos atingidos pelas intempéries: um exemplo de solidariedade e desprendimento dos brasileiros.
 Na verdade, é no meio da desgraça que conhecemos a verdadeira força popular, pois jamais devemos subestimar a capacidade de mudança de um povo unido, foi assim em diversos momentos da história de nosso país, está sendo assim agora, que precisamos de mobilizações urgentes para reconstruir parte de nosso estado.
 Nossa Santa e Bela Catarina, agora pede socorro a seus filhos e seus vizinhos. Pedido que está sendo atendido prontamente, pois a vida não pode esperar… Ouvindo a Rádio Nereu Ramos online, na tarde de domingo, tive uma idéia mais precisa de tudo o que acontece em parte do estado. Vários depoimentos e entrevistas me impressionaram, mas um ouvinte, por telefone, me chamou especial atenção: Ele se dizia muito preocupado com uma reportagem que ouviu naquela mesma rádio, sobre um casal que havia perdido tudo na enchente e a esposa foi encaminhada ao hospital em trabalho de parto… Ao vivo, ofereceu sua casa para acolher o casal e a criança pelo tempo necessário, dando-lhes toda a assistência: cama, alimentação e um teto, mesmo que provisório, mas confortável o suficiente para abrigar esta nova vida.

 
 Em meio a toda esta fatalidade que assola nosso estado, em pleno século vinte e um, encontramos alguém, simples o suficiente para acolher uma família desconhecida e lhe oferecer o que existe de mais precioso: um lar… Mas ele não está sozinho, muitos e muitos blumenauenses, catarinenses e brasileiros estão dispostos a renunciar até mesmo a sua privacidade, para dar mais conforto àqueles que sofrem.
 Santa e Bela Catarina, um estado maravilhoso e diversificado, hospitaleiro e acolhedor, agora pede socorro… E o socorro está vindo, do povo brasileiro, que honra sua bandeira e não desiste de lutar pelos seus ideais e por uma vida melhor.

 
 Santa e bela Catarina

 

Márcio Roberto Goes
Orgulhosamente Catarinense

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