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Mês: setembro 2008

Virgindade Eleitoral

Há algum tempo, quando completava dezesseis anos, eu estava ansioso para entrar na cabine e realizar meu primeiro voto: lembro até hoje, pois a primeira vez, a gente nunca esquece… Aquele ato significava o resultado de meses ouvindo, analisando, e discutindo propostas, pois desde que me tornei eleitor tenho um posicionamento político, alguns conceitos mudaram com o passar do tempo, mas os princípios continuam intactos. A meu ver, o posicionamento político, firme e decidido livremente deve ser uma característica de todo cidadão. É assim no futebol, na religião, no campo profissional… Não poderia ser diferente na política: Digo política, ideologicamente falando, o que é muito diferente da “politicagem” que procura atender a interesses pessoais acima da vontade do povo. Exemplos claros deste aspecto encontram-se no “troca-troca” de partidos às vésperas do prazo legal para as candidaturas, nas obras e ações emergenciais às vésperas das eleições, entre tantas outras falcatruas, como candidaturas “vendidas” que esquecem completamente os aspectos ideológicos, além da compra de votos, que apesar de tantas restrições da Justiça Eleitoral, teima em ser uma constante nas eleições.

É necessário que façamos uma análise política e ideológica antes de digitarmos os algarismos na urna. E torna-se indispensável um posicionamento consciente e livre para o bom andamento da democracia. Um cidadão que fica atento a estes aspectos, jamais se venderá por uma cesta básica, ou por uma ordem de combustível, visto que a cesta básica e a gasolina logo acabam, mas o candidato que ajudamos a eleger permanece por quatro anos.

Desta forma, quero conclamar meus amados e queridos jovens, por quem tenho um profundo carinho e uma grande admiração, para que usem de sua juventude e não joguem seu primeiro voto no lixo, pois ele terá sérias conseqüências, o futuro de nossa cidade depende do poder executivo e do legislativo que vamos eleger no próximo dia cinco. Não gostaria que meus amigos jovens perdessem “a virgindade eleitoral” sem amor e de maneira dolorosa, mas sim de forma livre e democrática, analisando as melhores propostas, e escolhendo, sem nenhum tipo de pressão ou extorsão aquele candidato, ou aquela candidata que acreditar ter as melhores propostas para nosso município.

Não é fácil, mas é perfeitamente possível votar conscientemente, acreditando nos benefícios que vêm depois, e não nos “agradinhos” de antes do pleito, que morrem por ali mesmo sem nenhum resultado futuro para a coletividade. E por falar em coletividade, por favor, meus jovens, votem pensando no município, e não nos interesses particulares.

Por fim, queridos aspirantes eleitorais entre dezesseis e dezessete anos, e jovens em geral: não deixem de votar e votem conscientes de que aquelas teclas que forem digitadas, depois de confirmadas, não poderão ser apagadas. São estes dígitos que ajudarão a decidir o futuro do município, e por conseqüência o seu futuro. O voto é único, mas somado a tantos outros, será responsável pelo sucesso ou fracasso de nossa cidade por quatro anos…

Márcio Roberto Goes

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Quando lemos um jornal brasileiro

 

 

            Na primeira página: “Estudante é morta pela polícia”… A estudante Rafaele Ramos de Lima, de vinte anos foi morta por policiais militares, ela e o namorado foram confundidos com criminosos ao colidirem com uma viatura. O soldado saiu atirando acertando a estudante com um tiro na cabeça.

 

            Quando viro a segunda página, o texto é o seguinte: “Máfia dos fiscais em SP”… Nem leio, porque isso parece resumo de novela, todo jornal tem.

 

            Na terceira página, o título: “Infância roubada”. No Brasil, estima-se que quatro milhões de crianças, entre cinco e dezesseis anos sejam vítimas do trabalho infantil.

 

            Na quarta página, o texto que mais me chamou a atenção, com o título: “Ninguém por eles”. Cerca de trezentos mil brasileiros vivem marginalizados, excluídos até do senso do IBGE, figuras perdidas em meio à paisagem urbana. De acordo com uma pesquisa, 88,5% dos moradores de rua não são atendidos por programas governamentais, poucos recebem aposentadoria, bolsa-família, ou benefício de prestação contínua. Na maioria das vezes, são pessoas que podem trabalhar, 59% afirmaram ter profissão.

 

            Quando viro a página cinco, algo me assusta com o título assim: “O homem na caverna”… Em um buraco embaixo de um viaduto, é apertado, com cheiro forte, entulho e lixo: este é o cenário… Seu Luiz Eduardo Santos de 39 anos afirma que saiu da casa dos pais e foi morar na rua, dependente químico, não tinha para onde ir, resolveu morar no buraco.

 

            Quando viro a próxima página, um assunto que eu não havia percebido o quanto faz mal par as nossas crianças, com o título: “Dependentes da rede”. Acesso exagerado à Internet é diagnosticado como um distúrbio psiquiátrico, como o alcoolismo. Os brasileiros passam, em média, quase vinte e três horas por mês conectados, a frente da França e dos Estados Unidos e na maioria das vezes, são crianças.

 

            Após ter lido todas estas notícias, percebi que o Brasil necessita de organização e muitos de nós não podemos fechar os olhos para a realidade… Pegar o jornal só para ver o resumo de novelas e o horóscopo.

 

            Ver a realidade do país em que você vive é fundamental. Com a ajuda de todos, um dia poderemos ler um jornal com muitas notícias alegres.

 

            Isso tornará você um verdadeiro brasileiro, pois “brasileiro que é brasileiro não desiste nunca!”

 

 

 

Susan Emmer

31/08/2008

Escola Estadual de Educação Básica Wanda Krieger Gomes

Caçador – SC

3º ano 01 – Matutino

Ensino médio

 

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Pipoqueiro de meia tigela

 

 Fritar pipocas: uma ação fácil e corriqueira para qualquer ser humano que tenha um pingo de noção sobre culinária, porém exige mais que a habilidade necessária para ferver um lámen, ou equivalente ao nível necessário de destreza para fritar um ovo. Apesar disso, as dificuldades diminuem consideravelmente quando se trata de pipoca para microondas, que já vêm em embalagem própria, com quantidade e tempero na medida certa. Basta colocar o pacote com a parte escrita “este lado para cima” virada par ao infinito e digitar a tecla “pipoca”, em seguida o botão “ligar” e esperar o resultado.
 Numa destas terças-feiras, em que adentrava a minha sexta série querida, uma de minhas alunas queridas, me faz uma sugestão igualmente querida:
 – Professor, você sabe como estourar pipoca normal no forno microondas?
 Algo me dizia que eu iria me arrepender por dar continuidade à conversa, mas respondi, educadamente:
 – Não! Como faz?
 – Basta pôr a pipoca e acrescentar duas colheres de água e programar o forno para um minuto e vinte segundos em potência alta…
 Pareceu-me algo extremamente absurdo, mas resolvi fazer esta terrível e inesquecível experiência… Ao chegar a minha residência oficial de verão, outono, inverno e primavera, meus olhos não conseguiam desviar da prateleira onde descansava em paz a tal pipoca… Uma força mais forte que eu, me impulsionava para esta experiência inenarrável.
 Não resisti à tentação e tive que me entregar ao pecado da curiosidade: Peguei logo um pote daqueles que a gente compra em qualquer seção de 1,99, joguei a pipoca dentro, acrescentei duas colheres de água, meti tudo no microondas, acionei o botão do desespero e aguardei… aguardei… aguardei…
 Um minuto e vinte segundos depois… Nenhum resultado… Repeti o mesmo procedimento… De novo… Novamente… Outra vez… Mais uma vez… Até que consegui ver algumas míseras sementinhas virando no avesso… Na verdade, o único resultado marcante que tive foi o derretimento do fundo do pote e um microondas quase queimado que demorou a funcionar novamente e ficou algum tempo com o BIP meio rouco.
 Alguns dias depois, minha aluninha querida (futura chefe de cozinha) acrescentou mais um detalhe: eu deveria ter feito isso num prato e não num pote plástico, apesar de este ser próprio para microondas. Por via das dúvidas ainda não tive coragem de arriscar.
 Bem feito! Quem mandou eu não escutar com atenção a receita? Porque fui procurar o caminho mais curto e fácil?…

 

Márcio Roberto Goes
Aceita uma pipoca?

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Um ponto pelo Hino

 

 Todo ano, na semana da Pátria, desafio meus amados e diletos alunos a cantarem o Hino Nacional Brasileiro de cor, sem errar, nem gaguejar: aquele que consegue, recebe um ponto a mais na média bimestral…
 Parece mentira, mas em oito anos de magistério, só consegui contemplar um único aluno de ensino médio com este prêmio… É impressionante, como decoramos facilmente as canções “populares” em cinco velocidades diferentes, que na maioria das vezes têm um padrão de letra e vocabulário que não exigem o mínimo conhecimento de poesia nem de música. No entanto, parece infinitamente difícil decorar e sentir a letra do Hino Nacional Brasileiro composta por Joaquim Ozório Duque Estrada, externando uma impressionante e inigualável declaração de amor por esta terra, inclusive intertextualizando outra obra de um grande escritor chamado Gonçalves dias, neste trecho:
 (…) “Nossos bosques têm mais vida, nossa vida” no teu seio “mais amores” (…)
 Vamos combinar que nosso modesto país sofreu grandes mudanças após a composição do seu Hino oficial, tanto estruturais, como políticas e culturais, porém, a letra ainda é capaz de nos provocar reflexão e “arrepiar até as unhas”: uma canção passional que exprime tantas belezas e riquezas de uma terra que ainda é amada e cobiçada pelos estrangeiros… Só falta ser amada e cobiçada pelos nativos.
 – “Mas é muito difícil” – Me dizia um aluno. Sim! Nosso Hino Nacional pode ter um aspecto meio rebuscado, cheio de palavras que não fazem parte do nosso cotidiano e algumas frases fora da ordem direta, mas são justamente estes aspectos, que a meu ver, o tornam o poema em homenagem a um país, mais bonito do mundo.
 O “Joaquinzinho” teve um cuidado todo especial na métrica e na rima: detalhes merecidos de um país com dimensões continentais que fala e escreve a Língua mais linda do mundo: o bom e amada Português que agora tentam unificar com os outros países lusofônicos, através da reforma ortográfica que vigora a partir de 2009… Bem! Podem até fazer uma tentativa frustrada de unificação ortográfica, porém o Português do Brasil, Jamais deixará de ser o mais bonito e versátil do mundo… Não é uma reformazinha meia-boca que vai nos fazer enrolar a língua e falar igual aos outros lusofônicos.
 Vivemos num país lindo, com um hino maravilhoso, variações lingüísticas incomensuráveis e a maioria do povo não conhece a letra do Hino feito à “Pátria amada, mãe gentil”, que mais tarde se tornou Hino oficial do país…
 É uma lástima perceber que se reconhece perfeitamente o sentido morfológico da palavra “créu” e não se tem a mínima curiosidade em descobrir o sentido do substantivo “lábaro”, do verbo “ostentar”, dos adjetivos “garrida” e “colosso”, da própria flâmula verde-louro e de outras palavras que compõem o Hino e encontra-se facilmente em qualquer dicionário.
 Meu Brasil, quero amar-te, mas para amar-te é preciso conhecer-te… E para conhecer-te é preciso, entre outros aspectos, compreender teu poema oficial: o Hino Nacional.
Márcio Roberto Goes

 

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