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Mês: fevereiro 2008

Certo ou Errado?

Para que servem as leis?… Penso que para serem cumpridas, não é mesmo?…
Pois bem. Parece que nem todos pensam como eu…. Por muitas vezes, encontrei pessoas fumando dentro das dependências de algumas das escolas por onde passei – entenda-se como dependências, não só a área construída, mas todo o pátio – Pelo que sei, é proibido por lei, fumar em órgãos públicos, mas em algumas das vezes em que reclamei, recebi, do fumante infrator, uma baforada bem na cara… Quem está errado?

Ainda nas escolas, vejo, não raramente, alunos que se acham no direito de insultar e denegrir os professores, como se fossem seu cachorrinho de estimação… Aliás, algumas vezes, ouvimos coisas que eu não teria coragem de dizer para meu cachorro… E segundo a lei, a pessoa que agride um funcionário público no pleno exercício de sua função, pode ser condenada de dois a quatro anos de prisão. Mas até hoje, não vi nenhum aluno infrator cumprindo pena, mesmo sendo maior de idade… Certo ou errado?

Certa vez, andei por toda a cidade em busca de um posto de saúde que me disponibilizasse um dentista para tratar de uma emergência. Em todos os postos nas redondezas do meu bairro, não consegui atendimento: um empurrava para o outro, e eu me obrigava a ouvir “desaforos”, mesmo sendo a vítima… Acabei sendo atendido bem longe do meu bairro… Certo ou errado?

Outro dia transitava com meu “possante 91”, ouvindo uma canção do Amado Batista em uma das rodovias que corta nosso município obedecendo à sinalização de quarenta quilômetros por hora em travessia urbana: fui ultrapassado na faixa contínua por um louco varrido e apressado, ouvi buzinaço e mais um monte de palavras desagradáveis… Certo, ou errado?

Aliás, o trânsito é uma fartura de ilegalidades e imprudências: Automóveis estacionados descaradamente na contramão, principalmente nos bairros; curvas que são contornadas sem aviso prévio de sinal pelos motoristas… É! Realmente parece que o ato de acionar a seta de sinalização requer um esforço sobrenatural do condutor, principalmente quando está ocupadíssimo ao celular; Limite de velocidade excedido sem o menor escrúpulo (perfeitamente justificável, já que é impossível ler atentamente uma placa de sinalização a cento e sessenta por hora).

Aproveitando o gancho, tenho uma dúvida cruel que me assola a alma e me tira o sono por vezes: Se o limite de velocidade mais generoso encontrado nas estradas do Brasil é de cento e dez quilômetros por hora, porque continuam sendo fabricados automóveis que ultrapassam os duzentos?… Será que são alguns remanescentes da fórmula 1? Certo, ou errado?

Falando nisso, outra dúvida desafia meu pobre cérebro mortal: Porque é que nós, que usamos o carro para locomoção, muitas vezes a trabalho, somos orientados a usá-lo o mínimo possível a fim de retardar os efeitos do aquecimento global, diminuindo a emissão de dióxido de carbono na atmosfera, enquanto muitos empresários patrocinam a fórmula 1 e o mundo pára pra ver a corrida no domingo, aplaudindo cada bafejada do gás venenoso na atmosfera, pura e simplesmente por esporte… “Cá pra nós”: acho que existem muitos outros esportes mais saudáveis e menos poluentes, porém não sustentam o capitalismo da mesma forma que as corridas poluentes do domingo.

Certo ou errado?

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Enchendo Lingüiça

Querem calar nossa voz

Não sei se foi por acaso que você começou a ler estas linhas. Só sei que nada é por acaso: Nem as vitórias, nem as derrotas, nem os governos (que por acaso foram eleitos por nós), nem os marginalizados, nem a tirania, nem a troca repentina do secretário de educação do município, nem o aquecimento global, nem a vida, nem a morte… Nem mesmo estas linhas, que por acaso (ou não) você começou a ler… Tudo tem uma razão de ser: nada pode ser mera coincidência ou simples obra do destino… (destino?)… A meu ver, a única coisa que não tem razão de ser é um cronista desperdiçar um parágrafo inteiro “enchendo lingüiça”, como acabei de fazer… Apesar de ter muita gente que gosta…

Bem! Vamos ao que realmente interessa: Estou muito triste com a qualidade da leitura do povo brasileiro. Eu mesmo venho recebendo algumas reclamações, visto que meus textos são muito longos na opinião de alguns “leitores”… Ora, ora! Escrevo o número de caracteres necessários para expressar minhas idéias dentro dos padrões exigidos pela redação do jornal, apesar de saber que provavelmente amanhã, alguns exemplares servirão de embrulho para bananas… Não acho que seja longo demais… Acho até que é menor que a “preguiça de ler”, presente em muitos seres homo sapiens. De qualquer forma, agradeço de coração por você ter acompanhado minhas palavras até o fim deste segundo parágrafo. Prometo que vou direto ao assunto no terceiro.

Acolhi e continuo acolhendo todas as críticas recebidas, afinal, não sou perfeito nem tenho a menor pretensão de ser. Apenas quero dar meu recado através das palavras e sei que isto é perfeitamente possível, pois vivemos num país que é exemplo de democracia em todo o mundo, apesar de ainda ser capitalista… Pena que nossa cidade parece não seguir o padrão nacional de democracia. Há poucos dias, recebi uma notícia que “foi de sartá os butiá do borso”: Um de meus colegas de imprensa está sendo processado por denegrir a imagem do chefe do executivo municipal. A meu ver, trata-se de uma arbitrariedade desumana nos padrões “podres” da ditadura militar.

Sei que meu amigo não expressou nada mais que a verdade, o que me leva a crer que os denegridos denegriram-se a si mesmos (perdoem meu pleonasmo proposital) e agora tentam culpar a imprensa pelos seus desafetos das promessas não cumpridas em virtude da retribuição dos favores prometidos aos “mais chegados”… E os clamores do povo que elegeu essa gente?… Onde fica?… Certamente no fundo da gaveta, que sempre é aberta em ano de eleição.

Então caro leitor… Enchi muita lingüiça?… Mesmo que sua resposta seja afirmativa, parece que eu não sou o único por aqui que tem o costume de enrolar o povo.

Márcio Roberto Goes
Enrolado, mas sincero…

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Esperança

Esta foi por encomenda. Uma aluna me fez o pedido para escrever uma crônica sobre esperança, espero que ainda não tenha perdido a dela, pois já faz tanto tempo!

É uma palavra muito eclética para ser resumida em poucas linhas. A cada dicionário que consulto surge uma definição diferente… Penso que a esperança é para sentir e não para definir, porém utopicamente carrego a esperança de um dia defini-la.

Desde que “me conheço por gente”, vejo as pessoas ao meu redor alimentando a esperança de ver um país e um mundo melhor e mais justo, sem guerras, intrigas ou desigualdades sociais, porém, os protagonistas deste sentimento, são os pequenos, que não podem ter nada, além da esperança de que aqueles nada esperançosos, que um dia receberam seu voto e foram eleitos engordando utopias do povo e seus próprios bolsos, façam algo por estes pequenos que sonham em um dia ser grandes aos olhos das autoridades, e não só em ano de eleição.

Os anos passam, as autoridades mudam, o mundo muda, o país muda… Só não muda a esperança, porque os digníssimos e os excelentíssimos continuam com os mesmos objetivos, onde o povo não cabe, afinal, ainda existem outras prioridades mais prioritárias na visão deles (perdoe-me a redundância).

“A esperança é a última que morre” e por isso é a que mais sofre, vendo o sepultamento dos objetivos e sonhos mais justos e sublimes dos seres humanos, que por mais felizes que sejam, sempre regam uma nova utopia, um novo objetivo, um novo sonho…

Um espera emprego, outro não está contente com seu trabalho e gostaria de ganhar mais e trabalhar menos, como fulano ou bertano… Outro, igual a milhares, espera um grande amor, outro ainda, prefere vários amores, e há aquele que se contenta em viver sem amor… Quem já tem uma paixão, espera nunca perdê-la… Quem perdeu, espera recuperar o velho amor ou viver um novo, afinal, não se vive sem amor, seja qual for sua concepção ou razão.

São várias as esperanças criadas e alimentadas pelo ser humano. Mesmo o desesperado, tem a pseudo-esperança de morrer e findar seu sofrimento, porém o suicídio não acontece, porque ainda existe um sonho esperançoso.

No mundo atual, em que ao sairmos de casa, temos apenas trinta por cento de chance de voltarmos ilesos, física, mental ou ideologicamente (estou sendo otimista), estar vivo e não deixar que nenhum desesperado mate nossas esperanças já é uma vitória merecida para aquele espermatozóide microscópico, cuja esperança maior foi chegar por primeiro ao óvulo e fecundá-lo, celebrando assim, o milagre da vida.

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