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Mês: outubro 2007

ESTAGIÁRIO DE DEFUNTO


25/10/2007

CAÇADOR ONLINE
27/10/2007
JORNAL INFORME

Já vi de tudo nesta vida, ou melhor, pensei que já tinha visto de tudo, pois esta semana, as manchetes dos jornais locais fizeram-me perceber, que ainda existe muita coisa jamais vista ou presenciada por mim e por tantos outros seres humanos.

Todos já devem saber desta história: Um homem resolve atravessar o Rio do Peixe a nado, mas infelizmente sua experiência acaba em tragédia. Depois de muito buscarem, os bombeiros voluntários encontram o corpo do fulano que já encontrava-se em decomposição… Cinco pessoas da mesma família o reconhecem como parente. Depois do choro e da comoção geral, realiza-se um velório e um enterro digno de uma pessoa direita e de família…(apesar que pessoas não tão direitas e não tão de família também ficam “santas” depois que morrem, na concepção dos sobreviventes…)… A família despede-se do defunto, indignada com o acontecido, afinal, não é justo uma pessoa jovem e gozando de boa saúde, nos deixar assim, de maneira tão trágica.
Passados três dias, o morto é encontrado “vivinho da silva” numa cidade vizinha, por alguns familiares… A primeira reação natural foi o susto, depois, perceberam que enterraram o homem errado e o ex-defunto tinha ido viajar, “bem bicudo”, sem avisar ninguém.
O acontecido, parte hilário, parte catastrófico me faz ficar apreensivo, pois moro perto do cemitério municipal, e tenho medo… Que tal que essa moda pega e os meus vizinhos ossudos resolvem levantar da sepultura e passear nas ruas do meu bairro tranquilamente?… Não tenho a mínima idéia de qual seria minha reação.
Além do mais, toda esta situação nos faz desenvolver um paradoxo de sentimentos: alegria pelo candidato a defunto ainda estar vivo, resignação por ter sido identificado e enterrado a pessoa errada, tristeza e desconsolo pelo verdadeiro cadáver, que até agora não foi reclamado por nenhum familiar, e por fim indignação, pois em pleno século XXI, ainda aceita-se um reconhecimento por “zóiometro” de um cadáver desfigurado pelos efeitos da morte por afogamento, mesmo com tecnologia suficiente para se fazer um simples exame de DNA, para descartar qualquer possibilidade de erro.
Que fazer agora?… Reabilitar o defunto vivo na sociedade e descobrir a identidade do verdadeiro morto, para que se faça justiça e não se “reze” pela alma errada.
Quanto ao cidadão que foi dado como morto e permanece com vida, este sim, pode dizer que nasceu de novo e viveu uma experiência muito rara: saber antecipadamente, como seria a vida dos seus familiares após a sua morte, agindo como estagiário de defunto.

Márcio Roberto Goes
Ainda vivo, graças à Deus

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POR QUE (NÃO) FALAR DO RENAN


18/10/2007

CAÇADOR ONLINE
20/10/2007
JORNAL INFORME

Renan Calheiros ainda é o assunto do momento em todo o Brasil, porém, muitas pessoas me questionam, já que tenho uma coluna semanal, porque até agora não escrevi nada sobre este assunto tão destacado pela mídia…

Então, a pedidos, vou escrever sobre o tal presidente do senado que agora, atendendo ao clamor popular (ou não), licenciou-se do cargo por quarenta e cinco dias… Ou melhor: vou escrever sobre o porquê de não escrever sobre ele:
Em primeiro lugar, acho que este assunto já está saturado pelos meios de comunicação, o que me impede de fazer qualquer comentário que ainda não tenha sido feito, por qualquer outro cronista “antenado” ao mundo ao seu redor. Além do mais, prefiro falar de fatos e pessoas mais próximas do cotidiano simples de um povo guerreiro que reside em Caçador e região…
Prefiro falar de nossas escolas públicas, em estado catastrófico, sobretudo aquelas enormes, inauguradas há dois ou quatro anos que já estão, literalmente caindo, algumas até com salas interditadas… Sem falar que ainda encontram-se “ocas” de equipamentos. Nos laboratórios de primeiro mundo, nada mais que poeira cósmica e vácuo físico e moral, além das constantes rachaduras e portas que devem ser constantemente chumbadas novamente em virtude do material de péssima qualidade utilizado pelas empreiteiras: deste modo, não tem direção nem corpo docente que consiga “dar conta do recado”…
Prefiro escrever sobre aqueles que abusam da confiança e da inteligência do povo mais humilde, vencendo o pleito eleitoral com a promessa de asfalto grátis, terminal rodoviário e outras maravilhas utópicas que até hoje não foram cumpridas e nem poderiam ser, pois o povo só é prioridade no palanque que disputa votos, depois é preciso favorecer àqueles que “trabalharam” na campanha, mesmo que para isso seja necessário fechar os olhos e os ouvidos para aqueles que trabalham diuturnamente e elegeram os “bunitão”, na esperança de serem lembrados…
Prefiro comentar sobre a (in)fidelidade partidária que paira sobre nossa cidade, inclusive de pessoas que foram a vida inteira de extrema direita, defendendo interesses altamente capitalistas ou viviam pulando de galho em galho e agora recebem uma “luz divina” e encontram, na estrela socialista uma nova esperança (abstenho-me do comentário sobre ideologia, que parece estar em quinto plano). Fato que deixa muito claro os interesses pessoais e eleitoreiros acima do desejo de contribuir com o bem-estar do povo que porventura depositará neles (ou não) seu voto de confiança no próximo ano… Afinal, agora é “a hora da estrela” (Clarice Lispector que me perdoe o plágio)…
Prefiro indignar-me com alguns empresários que dizem estar em crise por causa da baixa do dólar, fato que usam de “bengala” para demitir o pobre do trabalhador, que nunca tem direito à recompensa digna daquilo que suas mãos calejadas produzem. Não consigo aceitar o fato de que o rico, que desde a invasão dos portugueses, em 1500, sempre ficou com a maior fatia do bolo, hoje chora porque precisa disponibilizar um pedaço um pouquinho maior para o proletariado… E diga-se de passagem que este pedaço do trabalhador está longe de ser justo. A ele cabe dar o melhor de si para aumentar a produção e engordar o bolso do patrão que não se cansa de desenvolver estratégias, às vezes ilícitas, para lucrar mais e pagar menos…
E ainda querem que eu fale do Renan?… Bah!… A meu ver, ele não é nada pior que os exemplos mencionados aqui.

Márcio Roberto Goes

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