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Mês: setembro 2007

TÁBUA DE PASSAR

PUBLICADO EM: 23/02/2006
JORNAL INFORME

Resolvi tornar minha vida de homem separado mais confortável e investir numa tábua de passar roupa… Não sei se é assim que chama aquelas mesinhas de passar roupa com um armarinho munido de gavetas e portas, e ao lado uma pequena estrutura de metal para encostar o ferro…

Comecei minha pesquisa de preço na parte alta da avenida Barão do Rio Branco, afinal, a cada quinzena inaugura uma nova loja de móveis por aquelas bandas, com direito a foguetes, show de graça e gazeta descarada de aula… Procurei, primeiro algo básico: logo ao entrar, fui abordado por uma moça vestida de verde limão, com uma rosa estampada no bolso da camisa, por um instante pensei ter entrado numa floricultura, por causa da estampa sugestiva, mas logo percebi que estava na primeira de muitas revendedoras de móveis e eletrodomésticos daquela região da cidade. – O senhor já tem ficha conosco?… – Sim… Mas ao constatar que já fazia muito tempo que eu não comprava naquela loja, pediram para eu cprovidenciar um desorientado para servir de avalista. Nem procurei, porque hoje em dia já não se fazem loucos como antigamente.
Pensei em chegar na loja do pingüim… Só pensei, porque com o calor que fazia, certamente não sobraria nenhum pingüim para me atender, peguei um folheto, mas não encontrei o que procurava… Na próxima loja entrei com muito orgulho, afinal, também “soy latino americano e nunca me engano…” Escolhi minha tábua, mas o vendedor viajou na maionese tentando ser simpático: -Não quer levar o ferro também? Tem um ótimo na promoção, sua esposa vai adorar! – Desculpe-me, mas não tenho esposa e já tenho ferro de passar…
Prosseguindo minha jornada, atravessei a rua e vi belas moças segurando o mastro de bandeiras enormes, algumas vermelhas, outras brancas, atrapalhando o estacionamento… Pensei comigo: – Será que é alguma passeata ou comício?… Mas, ainda estamos tão longe das eleições!… Só depois percebi que se tratava de mais uma loja de móveis. Encontrei o que procurava, só não encontrei dinheiro na carteira para a entrada. Oh! Que labuta!… Prossigo minha maratona e encontro um baianinho sorrindo para mim na placa… Pensei que encontraria um grupo de capoeira ou a Scheila Carvalho… Mas só encontrei uma vendedora normal com sotaque caçadorense, que também viajou na maionese ao me mostrar a tão sonhada tábua: Gostaria de ver também uma máquina de lavar da promoção? É um ótimo presente para sua mãe. – Sinto muito, mas minha mãe não precisa mais lavar roupas, ela faleceu há mais de um ano. (Porque será que todo vendedor pensa que precisamos mais do que procuramos?).
Desesperado, por pouco não endividado, atravesso a rua até a capela Nossa Senhora Aparecida: – Ô minha Nossa Senhora, como é difícil, para um pobre plebeu indeciso comprar uma tábua de passar?


Márcio Roberto Goes
Passando roupa na mesa mesmo
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DE VOLTA PRO FUTURO

21/09/2007

CAÇADOR ONLINE
22/09/2007
JORNAL INFORME

Quem não tem saudade de alguns momentos que marcaram a vida de forma inesquecível?… A infância, a primeira namorada, os embalos da juventude… Afinal, um ser humano sem nostalgia não passa de um cadáver ambulante… Nos últimos dias, tenho alimentado minhas lembranças nostálgicas presenciando eventos maravilhosos e edificantes:

Primeiramente, conforme já relatei nesta coluna, fui espectador do recital de poesias na escola de minha infância: Dom Orlando Dotti (antiga EB Salgado Filho), fato que me fez perceber que não fui só eu quem cresci, a escola também.
Mais recentemente, atendendo ao convite da professora Regiane Terezinha Faedo, visitei a escola de minha juventude: EEB Paulo Schieffler, onde fiz, com muito orgulho, o curso de magistério que foi a mola propulsora da minha carreira de educador: Em dois encontros, realizamos um “bate-papo”, com alunos de ensino médio sobre a importância da leitura e produção textual na vida estudantil, com ênfase no conto e na crônica…
Na terça-feira à noite, interagimos com alunos do terceirão e do primeiro ano de magistério, fato que me deixou muito feliz, ao ver que ainda existe um número muito grande de pessoas que escolhem a educação como profissão, no dia seguinte, recebi a notícia de que os alunos estavam despertando o gosto pelas crônicas, inclusive produzindo textos voluntariamente.
Na sexta-feira, foi a vez do matutino: três turmas de segundo ano, que sentiram-se bem à vontade para debater sobre meus textos e obras de escritores famosos. Creio que também despertaram, na sua maioria, o gosto pela leitura e produção de texto, além de deixarem explícitas suas dúvidas e angústias na hora de escrever, inclusive me procurando depois da palestra para conversar e saciar algumas curiosidades.
Alimentei novamente minha esperança da escola ideal, que deu mais um passo graças a iniciativa da professora Regiane e da colaboração do corpo administrativo da “escola de minha juventude”, que acolheram a mim e alguns alunos alunos da escola Wanda Krieger Gomes de braços abertos, não poupando esforços para nos oferecer a estrutura física e humana necessária para a realização deste evento.
Me senti numa fascinante viagem no tempo, pois nestes dois encontros, estive presente na escola que me acolheu no passado como aluno, me acolhe no presente como professor e escritor, e prepara, desta forma, novas lideranças e formadores de opinião que num futuro muito próximo estarão interagindo com uma sociedade que os terá como protagonistas…
Quero agradecer, de coração a todo o corpo docente, que acreditou em mim enquanto estudante há mais de dez anos atrás e hoje, juntamente com o corpo discente, continua acreditando no potencial deste seu modesto filho que tenta dar seu grão de areia na construção de uma educação que prepare o jovem para a cidadania.
Valeu Paulo Schieffler!… Tenho certeza que muitos filhos seus, em breve voltarão para repartir esperanças e temores com os novos filhos, trazendo o conhecimento “de volta pro futuro”.

Márcio Roberto Goes


Nostálgico, mas feliz
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Hei! Como está o seu salário?

Por: Professor Paulo Sergio de Moraes

Ah, o meu está legal porque o governo diz que o meu salário mínimo nunca teve um aumento tão real… Segundo o prefeito em seu discurso, o meu salário como professor nunca teve um aumento tão significativo e é um dos mais altos do estado…

Bom, o meu salário agora sim está ótimo mas tive que ficar sessenta dias em greve… Olha só!!!… vamos falar baixinho porque para o meu salário eu pedi 90% de aumento. Não ganhei, porém, depois que a polêmica foi desfeita, diminuí para 28% e com a maior facilidade consegui, e agora juntando com as mordomias que a lei me permite chego a faturar mais de cem mil reais por mês e ninguém contrariou.

Que beleza!!!!!… Eu não tenho do que me queixar pois, não possuo curso superior, mal fiz a quarta série e como vereador ganho mais de quatro mil reais por mês tendo o compromisso oficial de me encontrar pelo menos uma vez por semana conforme funcionamento das câmaras, assembléias e senado…

Epa!!! Pera aí… vamos mudar o rumo da prosa e discutir a relação… de salário! Será que estamos vivendo no mesmo país?… Por incrível que pareça estamos e somos injustiçados na mesma nação onde um trabalhador urbano que é a força–motriz da geração de renda recebe em geral R$ 600,00 por mês, um agricultor que produz todo o alimento que nos dá força para trabalhar e viver tem que se contentar com R$ 380,00 depois de uma vida inteira porque a previdência está quebrada, um professor que é responsável por muitos indivíduos assalariados necessita trabalhar de manhã, à tarde e à noite com um rendimento de R$ 1.800,00 reais já com os descontos e ainda tem que se dirigir angustiantemente aos seus alunos com o discurso de que o estudo é importante “para obter vaga no mercado de trabalho” e não para contribuir para a real independência do país e de si mesmo em todos os aspectos.

Por esta situação, sem menosprezar cada cidadão que tem um salário baixo ou alto, imagino que o nosso Brasil não pode avançar no campo social, econômico, técnico–científico, cultural com esta e tantas outras diferenças, e enquanto a maioria do povo não for valorizada.

Em pleno século XXI em todos os setores público ou privado é a dominação de poucos que emperra a mudança e o crescimento e há a preocupação, em maior escala, com os interesses de pequenos grupos em detrimento de um povo que soma mais de 180 milhões de pessoas.

Por outro lado, há um discurso rançoso que ainda reluta em manter–se vivo de que algo nunca esteve tão bem quanto está hoje, mesmo após quinhentos e sete anos da invasão pelos portugueses e como sempre um pequeno grupo no domínio da situação.

Essa insistência no discurso e não na prática tem feito absolutamente nada de concreto para que a maioria da população viva em condições de igualdade e acesso, a não ser, migalhas que ao invés de nos alimentar por completo vão nos sufocando e deixando – nos sem força para reagir.

Por todas estas razões e argumentos, gostaria de conclamar a sociedade para uma reflexão sobre algumas diferenças que são escandalosamente insustentáveis para uma nação que é economicamente dependente de pequenos grupos mundiais e assim, quando perguntarem como está o seu salário você tenha autonomia para dizer que está ótimo e que você vive em um país onde a igualdade e o acesso são garantidos realmente para cada um dos 180 milhões de brasileiros.

E viva a igualdade e as oportunidades…

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TALENTOS DA ESCOLA – Gabriele dos Santos

Breve e Eterna…


Não sei mais o que é sorrir.

Sorrir é um poço distante.
Eu só dormir, esquecer
Meu destino errante…
Quero chorar, mas não consigo…
Quero orar, mas Deus não está comigo…
Não estou triste,
Não é esse o sentimento,
Estou em outra órbita,
Fora de qualquer entendimento…
Os sentimentos são pequenos,
Não cabem mais em mim…
Eu não sou ninguém,
E caminho para o fim!
Não quero mais crescer!
Não quero mudar
Quero viver na brisa,
Quero morrer de amar.
Não tentem me compreender,
Não desperdicem seu tempo….
Continuem a me esquecer,
Sou tão breve,
E tão eterna…
Quanto o vento.

(Gabriele dos Santos)

EEB. Dom Orlando Dotti
Caçador – SC

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O SONHO DO JOAQUIM

As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico...”.

Colocada na ordem direta, essa frase que compõe os dois primeiros versos do Hino Nacional Brasileiro, nos faz perceber o que o “seu Joaquim Osório Duque Estrada” estava querendo dizer aos brasileiros que não tiveram a mesma regalia daquelas margens serenas que ouviram de tão perto o grito da independência, proclamado retumbante e estrondosamente pelo povo, na pessoa de Dom Pedro I, que pagou ao próprio pai: o Dom João VI, rei de Portugal, um mensalão simbólico de cinco mil libras esterlinas, uma moeda tão importante naquela época, quanto o dólar hoje (Isso que naquele tempo ninguém usava cuecas!)…

Desta forma, o então proclamado imperador do Brasil conquistou, não com braço forte, mas com bolso cheio, o penhor da nossa terra que agora deixava de ser colônia, para igualar-se a Portugal na condição de nação, com uma diferença: já nascia com uma impávida dívida externa que aos poucos se tornava colossal e retumba até hoje em nossos ouvidos, mudando unicamente os credores, que hoje USAm e abUSAm do Brasil e do mundo.

De qualquer forma, foi um ato heróico, desabafado através de um brado retumbante, semelhante à torcida do hexa, que merecia bandeiras nacionais e fitas com o verde-amarelo inconfundível do país do futebol, execução do hino nacional e amor incondicional à “Pátria amada, mãe gentil” exteriorizado espontaneamente de uma forma que não se presencia na semana que antecede o dia sete de setembro.

Onde está o verde-louro de nossa flâmula? (Aliás, cadê a flâmula?)… O lábaro estrelado que ora ostentávamos pela seleção canarino?… Quem lembra das glórias do passado?… Cadê a esperança de paz no futuro?… Que destino teve a clava forte da justiça?… (provavelmente, queimou junto com aquele avião)… Onde estão aqueles que desafiavam a própria morte no seio da liberdade?… Será que morreram, junto com o sonho do hexa?… Aliás, é este nosso “sonho intenso de amor e de esperança” que desce em nossa Pátria em forma de raio vívido, atualmente?…

O que vale mais: Uma bola buscando a rede adversária, ou um povo buscando justiça e vida digna que não tem um milésimo das regalias daqueles estrangeiros nacionais que defenderam (ou quase) o verde-louro da flâmula brasileira nos campos da Alemanha?…

Seu Joaquim que me desculpe, mas a coisa por aqui não está nem um pouco do jeito que ele sonhou: Não se ouve mais sua composição passional de uma beleza inenarrável, ecoando nos lares e escolas na semana da Pátria. Não se vê mais o lábaro estrelado nas casas, edifícios e repartições públicas, tremulando por amor à nossa “mãe gentil”. Perdeu-se a consciência deste florão, pedra preciosa da América. Apagou-se o “sol do novo mundo” no total descaso por este “gigante pela própria natureza”, que adormece, “deitado em berço”, já não tão “esplendido”, “ao som do mar e à luz do céu profundo”, esperando para despertar no dia em que seus filhos retomem “da justiça, a clava forte” e percam a vontade incessante de fugir da luta por uma Pátria amada… Mais amada e idolatrada. Salve! Salve!…

Márcio Roberto Goes
Impávido, colosso e modesto

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