A vida é massa!

a vida e massa

 

Quando se tem o propósito de aprender um pouco de tudo e fazer o que for possível por conta própria, sempre estaremos passíveis de erros, porém o aprendizado justifica o esforço e se torna um troféu em nossas vidas…

Avental e touca. Duas xícaras de farinha de trigo, duas colheres de açúcar, meia colher de sal, uma colher de banha, margarina, ou manteiga, água e fermento biológico: tudo multiplicado por três, já que desejo fazer três pães. Mistura tudo com a mão até formar uma massa homogênea, deixa descansar numa bacia coberta por um pano de prato limpo envolta em uma sacola plástica… Meus cães na janela, acompanhando, com o rabo do olho, todo o processo com aquela cara de quem diz: “Não importa o que esteja preparando, nós queremos comer…”

Roupa de sujar: calça jeans velha, sapatão, um jaleco surrado, Um pouco de argamassa num balde velho, água. Mistura tudo com a colher de pedreiro até formar uma massa homogênea e deixa descansar por vinte minutos, segundo instruções do fabricante… Aliás, não sei qual a razão das massas cansarem tanto se quem faz todo o esforço sou eu… Meus amigos peludos ao redor acompanhando tudo e este pedreiro amador que vos escreve, parando o trabalho de vez em quando para dar a eles o carinho que todo amigo merece…

De volta à cozinha, avental, touca, mãos limpas. Divido a massa em três, cilindro ligado e a massa passando quantas vezes forem necessárias para que fique lisinha, duas formas untadas que recebem um rolinho cada uma. Por um instante paro para ver o milagre da mistura que já começa a tomar forma e levo os dois pães ao pequeno forno, pois é tudo o que cabe lá… Mas e o terceiro pão?… Ah! Esse vai se dividir em vários bolinhos fritos imediatamente após sair do cilindro…

Uma pausa para o café com bolinhos frescos, enquanto uma massa cresce nas formas e a outra descansa no balde, ouço latidos famintos, vejo pela janela, duas caldas abanando e me dizendo: “Ói nóis aqui com fome!”… Claro que reparto minha guloseima com o Simba e a Nala, afinal, amigo é pra essas coisas…

De barriga cheia e a roupa de sujar, novamente neste corpinho, volto para a argamassa que já deve estar descansada o suficiente para voltar ao trabalho, acompanhado de meus amigos de quatro patas. Parede e peça de cerâmica umedecidas, colher de pedreiro na massa que se desloca, aos poucos para a cerâmica, desempenadeira para espalhar e, enfim a peça é grudada na parede com umas leves batidas da marreta de borracha… Conferido nível e prumo, repete-se a sequência em cada uma das peças que, uma a uma vão dando cor e vida ao novo banheiro… Por um instante, meu coração se rejubila ao ver o resultado muito mais vagaroso que de um profissional, porém satisfatório…

Quase uma dezena de degraus acima, na velha casa de madeira que, em breve será desmanchada, é hora de ligar o forno, mas antes, outra parada para observar o quanto a massa cresceu durante o assentamento das cerâmicas…

E assim termina a tarde de sábado: dois pães fresquinhos e uma parede pronta… Tudo isso, graças ao milagre das misturas químicas que transformam a realidade ao nosso redor…

Um marceneiro, pedreiro, carpinteiro amador, sempre se alegra festivamente a cada centímetro construído com suas próprias mãos… Da mesma forma que um padeiro, destes que aprendeu a receita do pão caseiro com sua finada mãe, mesmo sem nunca perguntá-la, se alegra com cada milímetro de crescimento da massa…

Ser mestre de obras de si mesmo, ou ser um cozinheiro para consumo próprio é algo que me faz pensar e concluir que, apesar de tudo, a vida é massa!

Márcio Roberto Goes

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Tudo é aprendível

22/01/2017

parede

Penso que todas as profissões devem ser valorizadas. Quando se contrata um serviço, o valor pago deve ser justo, de acordo com a experiência, preparação e investimento feitos pelo profissional que o oferece… Existem muitas empresas sérias e profissionais autônomos igualmente sérios no ramo da construção civil. A eles meu respeito e admiração como profissionais e, principalmente, como seres humanos, porém, há algum tempo resolvi não contratar mão de obra para construir minha residência oficial… Como sempre falo: Tudo é aprendível… Tomei então a decisão de aprender fazendo, usando este que vos escreve como cobaia…

Confesso que não comecei do zero, pois aprendi muito sobre carpintaria com meu falecido pai que me deixou uma herança valiosa: um cerrote, um martelo e um esquadro, que me acompanham no cinturão em cada passo da edificação de minha residência oficial… Porém, muitas coisas, tenho que aprender… Sorte a minha que tenho amigos engenheiros, pedreiros, eletricistas e encanadores que respondem prontamente a cada dúvida que aparece no cotidiano da obra…

Na verdade, trata-se de uma reforma e ampliação: Para tanto, precisei dar uma de pedreiro e erguer, do zero, um banheiro. Seria simples se o fizesse “a facão”, mas preferi seguir os padrões corretos, o que deve ter dado um certo incômodo aos profissionais que, constantemente procuro para esclarecer dúvidas, além de buscar tutoriais na Internet…

Botar a mão na massa é uma experiência muito interessante. Descobrir a quantidade e o ponto certo de cimento, areia, pedra, etc. Não tenho a experiência e a técnica de quem trabalha com isso dia a dia, mas o fato de descobrir, de vagarinho, como se faz, me traz grande satisfação, alegria, sem falar no detalhe clínico, pois descobri no trabalho manual, um eficiente fator para diminuir o estresse…

Lembro, constantemente dos ensinamentos de meu pai, dos conselhos de minha mãe… Optei pela casa de madeira, simplesmente porque passei minha infância e adolescência numa e o fato de estar construindo com tábua bruta me traz a nostalgia de reviver bons momentos que só a casa de madeira pode proporcionar…

Pode não ter o luxo de uma casa moderna de alvenaria, não fica pronta em quatro meses como aquelas financiadas, pois estou construindo conforme entra a verba, posso não ter a comodidade de receber a chave na mão sem me preocupar com o restante, pode não ser perfeita, mas é a minha casa, construída pelas minhas mãos com a ajuda de pessoas generosas ao meu redor… Ela tem a minha cara, o meu jeito, pois cada detalhe está sendo programado para abrigar o protagonista da minha vida…

Tenho certeza que não é a casa dos sonhos de muitos, mas é a minha casa dos sonhos… É a minha canela que foi ralada nos caibros depois de pisar em falso, é o meu dedão que está com bolhas de sangue resultadas de marteladas sem mira, são as minhas mãos que adquiriram calos pelos movimentos repetidos, foram os meus ombros que avermelharam, depois de esquecer o protetor solar ao colocar as telhas uma a uma… Enfim, é a minha obra… Estou presente cem por cento do tempo em busca de um resultado que, a cada pequeno avanço, considero uma vitória…

Muitos acertos ainda devem ser feitos: esquadro e prumo nem sempre exatos, nível conferido constantemente, mesmo assim ainda escapando deste olhar astigmático e ceratocônico…

É a minha casa que, além de ser meu lar, é também um objeto de pesquisa, pois tudo é aprendível…

Márcio Roberto Goes

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O ciclo da vida

chape

Depois que se passa da quarta década de vida, existem dois caminhos: ou nos tornamos frios por já conhecer grande parte das reações, ou potencializamos as emoções pelo mesmo motivo. Comemorar o aniversário é sempre bom, todo mundo gosta, mesmo sabendo que está ficando mais velho…

Penso que, a cada ano, a cada dia, a cada segundo devemos agradecer e celebrar o dom da vida. O tempo pode ser cruel em alguns aspectos, porém envelhecer é um privilégio carregado de experiências, emoções, esperanças e temores que, se reconhecidos como aspectos evolutivos nos fazem perceber o tempo como algo magnífico, negado a muitas pessoas…

Ao completar meus 43 anos de vida terrena, jamais havia imaginado que o faria num dia tão triste para a nação, para Santa Catarina e para o Velho Oeste que, na ocasião recebia, debaixo de chuva, seus guerreiros da Chape, mortos no acidente aéreo.

Ao acomodar-me numa padaria para tomar um café, chamou-me a atenção as imagens transmitidas ao vivo pela TV. Caixões e mais caixões sendo levados solene e vagarosamente pelo aeroporto após deixarem o avião, mesmo meio de transporte que os tirou a vida. A comoção era total dos dois lados da tela. Este que vos escreve, a cada gole de café sentia escorrer uma lágrima destes olhos ceratocônicos e astigmáticos protegidos por um par de óculos que me ajudam a ver com mais nitidez aquilo que a maioria das pessoas consegue ver a olho nu…

Se no dia do meu aniversário, pudesse pedir um presente a Deus, pediria que o tempo voltasse e tudo fosse diferente: Talvez estivéssemos recebendo uma equipe campeã sul-americana cheia de vida e festiva…

Mas quem somos nós para contestar os desígnios de Deus?… Só a fé é capaz de nos fazer acreditar numa nova chance… Cada jogador, cada jornalista, cada ser humano que estava naquele avião deixou, de alguma forma, seu legado, inclusive os seis sobreviventes. Todos entraram para a história e, para nós, brasileiros, especialmente para este aniversariante, o 3 de dezembro teve um sabor agridoce, cheio de antíteses: alegria, comoção, solidariedade, tristeza, esperança, amor, perseverança…

Mas a vida aqui na Terra continua, assim como a Chapecoense continuará fazendo história, em memória de seus guerreiros que, passo a passo, venceram cada barreira com garra e merecimento de cada degrau. São campeões por excelência, coroados e homenageados neste 3 de dezembro…

Tudo tem um ciclo, o começo de um é o início de outro. Enquanto isso, vamos fazendo nossa parte, na certeza que, um dia, também chega nossa vez…

Como dizia minha querida e guerreira mãezinha: A única coisa que se tem certeza na vida é a morte…

Força Chape…

Márcio Roberto Goes

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Morte e vida

Já dizia minha mãe: “A única certeza que temos na vida é a morte’… Portanto o melhor a fazer, é aproveitar o intervalo… Alguns vivem tranquilamente este tempo, outros, nem tanto. É possível identificar ao nosso redor, muitas e muitas vidas perdidas por picuinhas, consumismo e ganância… Se formos analisar da ótica de minha mãe, não faz sentido acumular bens nem fama, pois no final é você, um caixão frio, algumas flores e gente chorando por todo lado… Aliás, todo defunto é bonzinho… Todo defunto era jovem demais para morrer… Todo defunto faz falta… Tudo isso mesmo que tenha sido um marginal na vida terrena, morrido com um século de vida e não tenha recebido a devida atenção dos demais seres vivos e humanos a sua volta…

É necessário nos empenharmos com tudo o que for possível para fazer e dizer o que pudermos para uma pessoa enquanto ela ainda está viva, porque depois só é possível homenageá-la com flores e oração, e jamais sentiremos sua presença física novamente. Deve ser por isso que, no dia de finados, vemos todos os túmulos enfeitados, limpos e organizados, mesmo que não se tenha feito isso pela pessoa enquanto vivia… Depois da morte, me parece um pouco tarde para se reconhecer o verdadeiro valor de uma vida…

Pois bem. Espero que as pessoas ao meu redor manifestem qualquer coisa positiva enquanto eu estou vivo, bom, bonito e crocante… Cantem para mim, me remetam suas orações, me ofereçam missas, tenham boas lembranças minhas e me informem disso, me façam homenagens sinceras, como muitas que já recebi… Por gentileza, tudo isso a tempo para que eu possa desfrutar dos bons sentimentos que têm por mim ainda em vida e, quando minha missão estiver cumprida por aqui, levarei para o andar de cima todo o amor que me ofereceram em vida e, se Deus quiser, terei a chance de retribuir tão, ou mais intensamente…

Porém, se ainda assim, o tempo não for suficiente para me dizer tudo o que desejam, ou para fazer por mim tudo que acham que mereço, vai aqui alguns pedidos para o dia do meu velório: Primeiro, só me sentirei bem com o choro sincero de saudades, não de arrependimento por não terem me dado a devida atenção… Assim pode ter certeza que, de onde estiver, vou agradecer do jeito que der por tanta dedicação a mim proferida…

Se for época de hortênsias, me alegrarei com elas ao redor do meu caixão, deixando tudo azul e repetindo o sucedido do velório de minha mãe… Também podem colocar todo tipo de flores ao meu redor, inclusive copo-de-leite, pois neste momento, a rinite alérgica não fará mais parte de meu corpo e não vou sentir nenhuma irritação no nariz nem nos olhos…

Se possível, montem uma banda completa na missa de corpo presente, com direito a violão, guitarra, baixo, acordeon e bateria e não se sintam envergonhados de bater palmas no ritmo da canção, minha alma estará cantando e batendo palmas junto… Alegrem-se por mais um conhecido, ou familiar que cumpriu sua missão neste planetinha terra…

Não se preocupem com caixão e coroas muito valiosos, pois para voltar ao pó comigo não será necessário muito investimento. Deixem os plásticos para serem reciclados e, como disse anteriormente, procurem flores naturais, fáceis de colher e baratas. A hortênsia é a mais em conta, custa apenas o empenho de retirá-la dos barrancos… Não quero luxo. Se ainda existir meu jaleco de ministro da Eucaristia, aquele paletozinho branco, quero ser enterrado com ele me vestindo… Por favor, tudo muito simples e barato… Quero que as coisas que compartilhei na Terra sejam muito mais valiosas que o caixão, ou qualquer outro ornamento do meu velório…

Agora, um desejo, talvez o único que possam considerar esquisito, mas é simbólico: Pelo menos por cinco minutos, quero que meu caixão fique no meio da rua do cemitério. Nem do lado de cima que fica o memorial dos ricos, nem do lado de baixo, onde encontra-se a casa mortuária dos pobres… Isso, para provar que, posso ter sido rico ou pobre, mas naquele momento não levarei nem as riquezas, nem as misérias adquiridas nesta vida, ali estarão só minhas obras e meus exemplos, que com certeza marcarão positiva, ou negativamente cada pessoa que estiver presenciando o ato…

Meu túmulo pode ser o mais simples possível e, se preferirem, me transformem em cinzas, mas antes retirem de mim tudo o que possa ajudar outras vidas. Não quero ser enterrado com qualquer órgão que ainda seja útil… Extraiam tudo e doem pra quem precisa, inclusive as córneas que, mesmo defeituosas, poderão fazer um cego enxergar, neste caso, podem entregar junto meus óculos…

Não sei o dia, mas tenho certeza que a morte física vai me visitar. Espero estar preparado para recebê-la e me adaptar à transição para uma nova vida… Mas, por favor! Repito: Se não tiver coragem de reconhecer quem eu sou em vida, não seja falso a ponto de se descabelar chorando no meu velório, pois será tarde para me convencer da importância que eu tinha em sua vida…

E, principalmente: Se não me amou, não me aceitou como eu sou e não reconheceu minha importância em vida, de nada adiantará ficar alisando e enchendo meu túmulo de arranjos em cima de um corpo que apodrece mais a cada dia… Só pela fé, nos encontraremos de novo um dia para rir de tudo isso e comprovar tudo aquilo que acreditamos… Vida e morte… Morte e vida… Eterna…

Márcio Roberto Goes

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Os Conflitos da Escola

 

 

Desde que a história comprova a existência da escola que existem também os conflitos. No Brasil, com a chegada dos portugueses, chegam também os Jesuítas e nos trazem um modelo de educação que, de certa forma, permanece até hoje. Enfrentaram conflitos com os índios que não queriam ser escravizados, empurraram “goela abaixo” as doutrinas e a educação cristã, numa tentativa de fazer os nativos desta terra sepultarem sua cultura e suas origens. Certamente, enfrentaram muitos obstáculos ao tentarem trazer o conhecimento pronto, ignorando toda a história de vida dos índios, posteriormente dos africanos traficados e igualmente escravizados.

Com o passar do tempo, os conflitos de gerações e de interesses permaneceram na escola, de forma mais diplomática, porém, pelo que se percebe, permanece com a mesma intensidade. Infelizmente, ao que parece, o tempo passou e muitos conflitos históricos ainda não foram resolvidos. Os alunos, em geral ainda preferem estar fora da sala de aula, apesar de se agradarem com o ambiente escolar, ou seja, para eles, a escola é agradável, porém a aula em sala, enfileirados, quietos prestando atenção a um professor falando sobre assuntos não tão interessantes, torna-se muito desagradável e eles, mesmo assim aprendem, apesar da escola e não por causa dela…

Urge uma transformação no sistema de ensino público, porém as mudanças, apesar de urgentes, tendem a ser lentas, pois a maioria dos envolvidos entendem a escola como um lugar onde o professor ensina e o aluno aprende. Não há uma interação, uma troca de experiências considerável para que se justifique a permanência de alunos e professores no sistema atual…

Para o professor, ainda é mais conveniente a aula tradicional com quadro e caderno cheios e cabeça vazia. Para o aluno, é mais cômodo tentar adivinhar o que o professor quer que ele faça e esperar a média no final do bimestre. Desta forma, a gestão dedica tempo resolvendo pequenos conflitos que poderiam ser resolvidos em sala de forma a reforçar a democracia e a cidadania e deixa a desejar na parte que lhe cabe: fazer acontecer a escola que está no plano de gestão e em todas as teorias sobre educação…

Enquanto houver ocorrências suficientes para se preencher um livro-ata, a educação continuará esperando os avanços e correndo atrás das evoluções mundiais, sempre em último plano, pois o mundo se moderniza e a escola vai atrás, enquanto deveria ser ao contrário.

Percebe-se, um esforço por parte da maioria dos gestores para mediar de forma imparcial os conflitos, no entanto, o pouco entendimento de leis dos educadores em questão, sempre esbarra na busca do próprio conforto, com frases do tipo: “Este aluno me incomoda, não quero mais na minha aula”, ou “Só entra na sala novamente com a presença dos pais”… Neste ponto, nossos alunos estão mais informados sobre leis e seus pais também conhecem seus direitos, sabem que a escola não pode deixar de acolher qualquer que seja o aluno sob pena de responder com o peso do Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante o direito à permanência na escola. Infelizmente, não existe fiscalização sobre os encaminhamentos feitos aos ditos “alunos-problema”,portanto, cabe à escola a função de acolher e recuperar a criança, ou adolescente que vem cheio de bagagem do mundo lá fora e, por muitas vezes ,é muito mais atrativo que as quatro horas de aula diárias…

A família desempenha um papel importantíssimo neste processo. A maioria dos conflitos mediados pelos gestores, seria inexistente se houvesse um maior interesse dos responsáveis no crescimento pessoal e acadêmico dos alunos em questão. Não se pode alimentar a utopia de que, um dia, todos os conflitos de gerações e interesses da escola sejam resolvidos definitivamente, mas é possível amenizar e diminuir as estatísticas se houver uma ação mútua entre escola, família e comunidade. Parra isso, é preciso que cada agente tenha perfeita noção de seu papel no processo: O aluno é um ser humano que carrega uma história que deve ser considerada, o professor é o profissional habilitado para lhe orientar no caminho do conhecimento, a família deve acompanhar e orientar na educação e relacionamento coletivo. E a gestão deve ter respaldo legal e habilidade suficiente para lidar com tudo isso. Os desafios dos conflitos na escola sempre existirão, cabe aos envolvidos praticarem ações que definirão a intensidade do impacto destes conflitos para toda a comunidade escolar, de forma que se cumpra o verdadeiro papel da escola de orientar o cidadão para os possíveis conflitos da vida. Desta forma, arrisca-se dizer que: Os conflitos da escola são um treinamento para os conflitos da vida…

Ivonete Aparecida Torrezan

Márcio Roberto Goes

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