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Histórias de micro-ondas
Não sei o que há de errado com meu microondas, deve ser a falta do hífen adquirido há pouco e que ele, obsoleto, ainda não tem. A verdade é que tenho vivido quentes aventuras com este forno… A começar pelo manual de instruções que num de seus itens destaca: “não use o micro-ondas para secar roupas íntimas”… Bem, eu nem sabia que existia esta possibilidade para algumas pessoas. Já pensou, secar a cueca, vesti-la e depois esquentar o almoço como se nada tivesse acontecido?…
Já contei aqui sobre minha saga das pipocas que quase detonaram com meu forno, mas além desta, vivi muitas outras aventuras que só um curioso fuçador e seu micro-ondas são capazes de viver:
Certo dia, resolvi fazer um bolo de fubá (modéstia a parte, o faço bem, aprendi com minha mãezinha). Ao misturar os ingredientes, a batedeira resolveu pifar no meio do processo. Tudo bem! Terminei com a colher mesmo, fiquei com os punhos doídos de tanto mexer aquela massa amarela… Ao terminar a misturadeira, cruzamos por um instante os olhares: eu e o micro-ondas, o micro-ondas e eu… Eu olhei para ele, ele olhou para mim… Perguntei-me; Por que usá-lo?… Por que não usá-lo?… Usei-o!… No painel, encontrei um botão escrito: “BOLO”, apertei-o e deixei que o “bichinho” fizesse sua parte.
Ao final do processo, o cheiro estava bom. Ansioso para ver o resultado de meu trabalho, já sentido o gostinho típico do bolo de fubá em minhas papilas gustativas, abri a porta e tirei rapidamente a forma de vidro… Surpresa!… Acabava de inventar a “polenta doce”. Nem meus cães, que são meus melhores amigos, quiseram provar minha obra, um deles até deu umas mordiscadas fazendo muita cara feia. É isso que acontece quando fazemos gambiarra querendo economizar gás e não usamos o bolo adequado para forno adequado.
“Nestes termos”, poderia enumerar muitas outras ocorrências entre eu e este eletro que revolucionou minha cozinha, tornando muito mais fácil os “requentos” do cotidiano, mas gostaria de destacar mais uma:
Certa vez, perdi minha xícara de estimação, aquela escrita “Para uso exclusivo do meu super tio”, procurei por longas doze horas sem sucesso. Fui encontrá-la, adivinhe onde?… Isso mesmo, no micro-ondas, cheia de café com leite e parece-me que aquela mistura de líquidos nunca foi aquecida naquele forno.
O tal de micro-ondas tem me proporcionado “tantas emoções”, como diria o cinquentão da música brasileira, e com certeza, viverei muitas outras ainda com este aparelho que antes de conhece-lo, não fazia falta, mas agora tornou-se indispensável…
Márcio Roberto Goes
www.cacador.net
www.portalcacador.com.br
Jornal Informe – O diário do Contestado
Edificação sem base
Educação pública de qualidade: É o que todos querem, aliás é o que todos dizem querer, pois vemos muitas “boas” intenções sem ações… A começar pelas autoridades competentes que o são só na hora de buscar e pedir o voto, mas depois é só alegria… Para eles, é claro!… Para o povo, na maioria das vezes, é só decepção. Reforço aqui o que venho dizendo em muitos textos: “Até hoje, não vi nenhuma autoridade que pensasse realmente no povo.”
Pois bem, pensando em oferecer educação pública profissionalizante para a comunidade do bairro Martello, foi aberto o curso Técnico em edificações em nível de ensino médio, na Escola Wanda Krieger Gomes, em 2007, com a promessa de se construir um barracão com a estrutura necessária para o curso, além de um laboratório de solos… Lá se vão três anos e o barracão continua só na esperança. Os professores se viram como podem. Os alunos até fazem o possível, mas aqueles que foram eleitos através do voto popular, ou nomeados por estes parece que sofrem de amnésia crônica, principalmente na hora de se recordar do prometido… Enquanto isso, a professora das disciplinas específicas tem que usar o próprio material nas aulas práticas se quiser desenvolver um trabalho realmente proveitoso e para isso, nem armário adequado tem…
E a qualidade?… Não sei!… Só sei que os alunos terão um certificado de curso técnico em nível médio, habilitados para projetar e assinar projetos de até oitenta metros quadrados…
Busca-se, atualmente, parceria com as empresas para as aulas práticas de estágio supervisionado, que iniciarão no próximo ano… Mas e a base do conhecimento?… E a estrutura necessária para as disciplinas específicas?…
É muito bonito dizer que a Rede Estadual de Ensino oferece um curso técnico, dando a oportunidade de muitos alunos da periferia exercerem uma profissão razoavelmente rentável… É lindo e gratificante vermos nossos alunos dando o melhor de si para desenvolverem as habilidades necessárias para o curso… É maravilhoso perceber que os professores estão preocupados e empenhados em recuperar o tempo “perdido” a espera da estrutura que não veio… Mas é horrível ver que os excelentíssimos e ilustríssimos não estão “nem aí” para os clamores destes estudantes que querem apenas a estrutura necessária, ou seja, o mínimo do mínimo para estudar. Além do mais, aqueles engravatados eleitos por nós não se empenham para oferecer as condições essenciais para os professores realizarem seu trabalho.
E depois, vem a cobrança, é índice disso pra cá, é exame daquilo prá lá… Daí, não adianta culpar os mestres que trabalham diuturnamente em busca de uma educação pública melhor, pelos baixos índices de IDEB, nem de ENEM… Também de nada vale culpar os alunos pela falta de conhecimento.
Não queremos nada mais que respeito por um dos direitos básicos do ser humano: A educação.
A educação é bandeira de toda campanha, nossa escola e algumas outras, foram destaques na propaganda eleitoral… Mas nas “entressafras” eleitorais, ela nem é lembrada, exceto na hora de cobrar o trabalho de seus profissionais…
Márcio Roberto Goes
www.cacador.net
www.portalcacador.com.br
Jornal Informe – O diário Regional



