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Penico voador
João dos Sonhos Azuis recebeu, em seu trabalho, uma notícia nada agradável: a morte de seu pai a trezentos e cinquenta quilômetros de distância. Precisava viajar com urgência… Isso quer dizer revisão no fusquinha da cor de seus sonhos: documentos, extintor, pneus, freios… Tudo em ordem! E o resto? Bagagem, materiais de higiene pessoal, roupa, calçado… É difícil pensar com discernimento depois de uma notícia dessas, afinal não é todo dia que se perde o pai… Lastimável, mas o jeito era engolir a realidade e juntar todas as forças para dirigir seu besourinho até o litoral… Tudo deveria ser organizado o mais rápido possível para seguir viagem de forma segura, apesar do grande abalo emocional que sofrera…
Enfia, então, sua família dentro de seu possante da cor do céu e pega a estrada… Até certa altura permanecem mergulhados num silêncio sepulcral que é quebrado por um de seus irmãos com a seguinte construção frasal: “Preciso mijá”… O recurso foi parar no posto do primeiro trevo… Depois da urinada, nosso sonhador órfão toma o rumo errado: “Estranho este caminho”… Admira-se João… “Não lembro de ter passado por aqui nas outras vezes”… “Estamos perdidos”, declara apavorada sua irmã…
Ao pedir informação, nosso sonhador de sonhos azuis a bordo de seu “herb-blue” descobre que viajou na direção errada por oitenta quilômetros tendo que retornar até o ponto da mijada fatídica, onde morava a confusão…
Enfim, nosso sonhador de sonhos azuis quase abortados pela morte de um ente querido retoma a direção certa para o funeral de seu progenitor…. Transita por estradas precárias onde até caminhões carregados de tora sofrem para fazer ultrapassagens a mais ou menos cinco quilômetros por hora… Finalmente chegam ao destino. João e seus irmãos conseguem velar em paz o corpo de seu pai…
Depois de uma noite inteira sem dormir, a viagem de volta é uma incógnita entre urinadas e buracadas que sempre aparecem de supetão em virtude das defecadas das autoridades na verba pública, tendo que escolher entre chegar vivo, ou inteiro… Precisando carregar bem a bateria de sua bola de cristal para descobrir, antecipadamente, as curvas e obstáculos, já que até a sinalização fugiu para meio do mato com medo do excremento em forma de buracos que abalam o fusquinha celestino e o bolso do nosso sonhador depois do orçamento para os reparos na suspensão que o deixa “mijando na barba” de raiva…
Nada trará seu pai de volta, porém o descaso com a qualidade das rodovias, obriga o João e milhões de motoristas por este Brasil afora a gastarem quantias desnecessárias em reparos que poderiam ser evitados se o dinheiro do pedágio fosse utilizado para os devidos fins… E para agravar, alguém o distrai por causa de um problema que seria perfeitamente resolvido com um penico… Bem, na estrada, nem mesmo penico resolve a diurese, nem a diarreia moral que somos obrigados a suportar por causa do descaso… Culpa nossa! Por que insistimos em confundir urna com penico?… Afinal, muita gente faz na urna (não a funeral, mas a de votação) o que o irmão do João fez naquele posto e o que as autoridades fazem com nossas estradas… Este ano vamos, de novo tentar escolher qual será o menos pior para continuar voando e se regozijando com nosso dinheiro. É preciso analisar muito bem nosso voto para que não ajudemos a encher as cuecas e as meias dos excelentíssimos novamente…
Márcio Roberto Goes
Jornal Informe – O diário Regional
Jornal Fonte – Diocese de Caçador
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Minha canção do exílio
Minha terra, palmeiras já não tem
De vez em quando tem um sabiá,
Tucano, “tico-tico no fubá”
Pardais e as gralhas, só de vez em quando,
Pois desmataram suas araucárias… Continua >>
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PCdoB Caçador tem dois pré-candidatos a deputado federal
O PcdoB (Partido Comunista do Brasil) realizou no sábado (20), junto à Câmara de Vereadores de Joaçaba, encontro macro-regional, reunindo mais de 20 municípios do oeste e meio-oeste catarinense. Continua >>
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Não sou jornalista
Certo dia em que fui a um certo supermercado: destes que têm de tudo, desde xampu até pneu, encontro com um atendente que tenta me vender uma cafeteira… E conseguiu, mas isso não vem ao caso… O que me chamou a atenção foi o papo dele, confundindo minha profissão e minha função por aqui :
“Você ganha bem, é jornalista!”… Continua >>
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As voltas que a escola dá
Como já escrevi incontáveis e incansáveis vezes, a escola é um lugar de troca de experiências, foi lá que vivi, ou dei início às grandes transformações da minha vida e na vida de muitos de meus alunos…
Certa vez, quando ainda trabalhava na escola Irmão Leo, uma aluna procurou-me para desabafar. Dizia que sua mãe estava com câncer, esta doença cruel, desumana e, infelizmente, hereditária que assola a humanidade há séculos e ainda não tem cura, a não ser que seja diagnosticada no início… Ouvi atentamente seu relato. Dizia que ela e seu irmão viviam um pelo outro e ambos para dar conforto aos últimos dias de vida de sua mãe… Estava quase desanimando, não sabia mais o que fazer… Arranjei forças na fé que herdei de minha mãe e proferi as as seguintes palavras que vieram lá do fundo do meu coração: Continua >>
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Uma exceção
João dos Sonhos Azuis transitava despreocupadamente com seu fusquinha da cor de seus sonhos, num bairro qualquer da cidade, destes esquecidos pelo poder público que não tem tempo de atendê-lo, pois tem um parque central para cuidar e estruturar, afinal, no centro é outra vida, não pode ter o mesmo tratamento da periferia, pois ali estão os sangues azuis que “mamam e são mamados”… E os menos abastados, se quiserem usufruir dos benefícios do coração verde da cidade, terão que desembolsar quase duas “verdinhas” e viajarem até o centrão de busão…
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Programa
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Não bebo, não fumo… Só escrevo…
Todos sabem que não morro de amores pela atual administração municipal… Aliás, sempre serei contra qualquer acordo que esqueça realmente do povo, como aconteceu com os “sete anões”, liderados pelo tucano nas últimas eleições municipais… Antes que os adeptos da atual política se manifestem, como já fizeram, com palavras de baixo calão contra a minha pessoa chamando minhas palavras de “asneiras”, repito pela enésima vez: “Não sou jornalista… Não tenho compromisso com a imparcialidade”… Além do mais, como escritor, sinto-me na obrigação de ser autêntico e minha postura não permite que eu fique calado diante do show que se monta para agradar os olhos do povo… Sim, porque quase tudo o que aqui se faz de bom é para a elite usufruir e o povão ficar olhando, quando muito aproveitar um pouco e, dependendo do horário, voltar para casa a pé, percorrendo vários quilômetros até seu bairro…
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